3 Livros de Letícia Wierzchowski: SAL, CRISTAL POLONÊS e NAVEGUE A LÁGRIMA | NITROLEITURAS #resenhas

Segundo em frente na minha lista de leituras, para tentar comprir minha meta no Goodreads de ler e resenhar 100 livros nesse ano, chego até à prosa bela e emocional de Letícia Wierzchowski, que já tinha me tocado muito no excelente A Casa das Sete Mulheres.

E foram três livros lindos, que vou carregar sempre em minhas memórias, três livros que recomendo!


Cristal Polonês – Leticia Wierzchowski | Record, 2003, 174 pgs. | Lido de 30.10.16 a 31.10.16 | NITROLEITURAS

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SINOPSE

Tedda, Paula e Miti. Três irmãos de origem polonesa que vivem uma vida regrada pelas ordens da máma e pelos silêncios do táta. Eles têm três tios e alguns primos que ganham de tudo, cujos sobejos lhes chegam a cada estação do ano. Eles têm uma badka, avozinha que fugiu de Varsóvia e que agora vive no céu.

Eles têm “A Bola”, duas bonecas, e um sonho de tomar coca-cola todo dia. É a menina Tedda quem nos conta a história desta infância onde tudo de mágico e de perigoso pode suceder, onde nada escapa aos olhos de Deus, onde tirar boas notas pode garantir o sorriso da máma e talvez um sono sem pesadelos.

Numa pequena casa onde quase tudo é emprestado e as roupas são grandes demais para seus novos donos, apesar da pobreza e dos grandes perigos de se cometer um pecado, ainda há lugar para os sonhos.

RESENHA

Um livro muito tocante emocionalmente, escrito em um estilo confessional, com o narrador contando um momento muito delicado da vida de sua família.

O “Cristal Polonês” é um livro sobre segredos revelados, sobre como guardar um segredo compartilhando ele com os outros, de acordo com o belíssimo poema que inicia a narrativa. É um mergulho nas memórias de uma tragédia familiar para desvendar algum mistério da vida, um desvendamento que é ao mesmo tempo revelação e ocultação, porque assim é que é a vida, quando mais a conhecemos menos a conhecemos.

Leticia Wierzchowski  tem um estilo muito pessoal, que aproxima o leitor e o pega pela mão, caminhando junto com a gente, na narrativa. Me senti dentro das vivências da família de descendência polonesa do livro. Essa intimidade é tão grande que realmente SENTI NA PELE  a tragédia descrita (que não irei revelar, LEIA!) . Essa transparência emocional é dada pela franqueza do narrador (uma das características que mais gosto na obra da Letícia). E vemos toda a delicadeza e beleza do cristal polonês formado pela família do livro, uma excelente metáfora por sinal.

Apesar de curtinho (para os meus hábitos de ler só tijolão), o livro me supreendeu com a abordagem de temas profundos, como a morte (sempre a morte, toda a obra da Letícia tem essa ligação com a morte), a jornada de amadurecimento de uma menina, os absurdos da existência e da condição humana.

E lagos. É um livro também sobre lagos.

Recomendadíssimo!

RECOMENDADO PARA QUEM CURTE:

Romances de memórias de família.

Romances que fazem a gente chorar um pouquinho (ou um montão).

Romances que ajudam a encarar vivências difíceis da vida, a aceitar o absurdo da existência humana.

Quem já é fã da Letícia!


Navegue a Lágrima – Leticia Wierzchowski | Intrínseca, 2015, 208 páginas | Lido de 31.10.16 a 01.11.16 | NITROLEITURAS

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SINOPSE

Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Consumida pelo luto, a editora Heloísa escolhe se afastar da cidade onde morava e levar uma vida de isolamento na residência de veraneio que pertenceu a Laura Berman, uma escritora consagrada.

Entre muitos drinques, cercada de pertences e memórias dos antigos moradores, Heloísa começa a ser visitada pelas lembranças guardadas entre aquelas quatro paredes: a correria de crianças, dias de sol preguiçosamente passados à beira da piscina, o romance terno de Laura e seu marido Leon.

Se é delírio ou magia, a nova moradora não consegue distinguir. Aos poucos, enquanto revira baús, ela mergulha no universo conflituoso da escritora, descobre pequenas traições cotidianas e o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo nas relações mais sólidas. Essa compreensão permite que, lentamente, Heloísa consiga enfrentar seus próprios fantasmas e desvelar a história de uma grande paixão.

RESENHA

Mais uma vez, Letícia mergulha na alma feminina, e sua relação com a família e com seus amores. Em “Navegue a Lágrima”, temos duas histórias paralelas, abordando as alegrias e as tragédias que formam a vida, e a difícil arte de se recuperar dos baques do destino. A protagonista narra sua trajetória ao mesmo tempo em que busca forças mergulhando no passado da família que vivia na casa para onde se muda.

“Navegue a Lágrima” tem prosa muito gostosa de ler, bem confessional, em primeira pesso, que corre de acordo com uma sequência emocional. É uma narrativa feita ao sabor das memórias, indo e vindo, demonstrando grande controle narrativo.

Novamente, como em O Cristal Polonês, a morte ronda a narrativa, com a temporalidade e a efemeridade dos acontecimentos da vida presente em toda a prosa.

Um livro sobre como “navegar pelas lágrimas”, aprendendo a ter paciência com a vida, e com todos os momentos que a vida trás,. sejam eles tristes ou felizes. Reforçando um tema caro para Letícia, o doloroso aceitar da  finitude implícita em todas as relações.

E dessa forma, aprendendo a não se apegar às mágoas e a focar em viver intensamente cada momento do presente que se está junto a quem se ama. E tendo a escrita como uma forma de libertação, com cuidado e ternura, dos pesos que a vida coloca no coração da gente.

Recomendadíssimo!

RECOMENDADO PARA QUEM CURTE:

Romances focados em arcos emocionais.

Histórias de partir o coração.

Histórias que passam uma mensagem de esperança na vida, não importa o que aconteça.


Sal – Leticia Wierzchowski | Intrínseca, 2013, 240 páginas | Lido de 01.11.16 a 03.11.16 | NITROLEITURAS

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SINOPSE

Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva, expondo-os, todas as noites,às ameaças dos rochedos traiçoeiros. Sob sua luz vacilante, Cecília, matriarca da família Godoy, reconstitui as cicatrizes do passado com linhas e agulhas. Em dolorosa solidão, ela tece uma interminável tapeçaria em que entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.

Muitas gerações da família de origem espanhola zelaram pelo farol naquela ilhota perdida no sul. Apesar da oposição de Doña, sua mãe, Ivan se apaixona por Cecília. Os dois se casam e têm seis filhos — Lucas,Julieta, Orfeu, as gêmeas Eva e Flora, e o temporão Tiberius —, que povoam a ilha com suas personalidades marcantes e talentos misteriosos.

Apaixonada pelos livros, a jovem Flora descobre que possui o dom para a literatura e começa a escrever um romance. Tão poderosas são suas palavras que certas cenas deixam o papel e transbordam para a realidade. O manuscrito chega às mãos do inglês Julius Templeman, professor de Cambridge e especialista em literatura latino-americana. Tomado pelo frescor e pela vitalidade da criação da jovem, ele decide deixar a Europa e ir até La Duiva para conhecer pessoalmente a autora. Sua chegada provoca mudanças profundas e irreversíveis nos moradores da ilha e no próprio Julius. Ele desperta desejos, desencadeia paixões e torna-se o vértice de um inusitado triângulo amoroso, cujas consequências levam os filhos de Cecília a se espalharem pelo mundo em busca de outros verões.

Com uma linguagem poética, Leticia Wierzchowski dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando sua própria tapeçaria delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.

RESENHA

Fabuloso! Uma obra madura, complexa, fantástica, tão impressionante quanto foi o “A Casa das Sete Mulheres”. Talvez a magnus opus da Letícia, amei esse livro!

Vamos lá, o que dizer de um livro tão bom como esse?

“Sal” é um livro mais ousado estilística e estruturalmente da Letícia, uma prosa de uma escritora no auge de seus poderes narrativos.

“Sal” conta, através de múltiplos pontos de vista, a história de uma família cuja sina é cuidar de um farol.

Através das vozes narrativas, temas como as questões de gênero, as dificuldades de uma relação homossexual sonhos despedaçados dramas familiares e a dificuldade de compreensão entre as pessoas.

É um livro que trata também, sobre como o tempo pode minar as relações amorosas mesmo quando começam um grande paixão. Foi interessante notar a recorrência desse tema, em “Sal”, pois é também o tema central de “Navegue a Lágrima”. A diferença é que em “Sal”, a destruição das relações amorosas se dá em tons dramáticos e até quase épicos, enquanto “Navegue a Lágruma” tem um tom mais inimista.

Como sempre acontece na ficção de Letícia, em “Sal” tudo ganha vida, seja o ocenao, o farol, objetos inanimados, doenças, insanidades, tudo se entrelaça por meio de narrativas, unificados pela emoção dos personagens. O cenário das histórias são extensões das almas dos personagens, um toque ao estilo romântico do século 19, em uma abordagem bem contemporânea.

Mesmo sendo um livro dramático e com passgens bem sofridas, , senti uma mensagem sobre o valor da resiliência frente a dificuldades da vida, e de como a eterna esperança de ser feliz, mesmo quando não realizada ou se materializando com uma força destrutiva, sustenta o caminhar dos protagonistas.

O livro também tem muitas referências mitológicas. Deuses gregos permeiam as páginas, além de referências à Shakespeare.

“Sal” também aborda a questão da criação do escritor, o modo como o imaginário de um criador se mistura com a realidade objetiva em sua volta.

O farol é a imagem máxima do livro, unificando as tramas, servindo de metáfora, de tema, de personagem, de símbolo, de tudo! Personagens vivem ao redor do faro, se afastam dele e retornam a ele, um farol que também guia o leitor dentro das miríades de narrativas de “Sal”.

Recomendadíssimo!

RECOMENDADO PARA QUEM CURTE:

Romances literários de alta qualidade.

Romances de exploração das psiques dos personagens.

Narrativas que exploram diversos pontos de vista diferentes.

Narrativas que abordam as questões do relacionamento homosexual.

Prosa bem escrita e uma história que nos leva às lágrimas.


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