Morangos Mofados, Onde Andará Dulce Veiga, Os Dragões Não Conhecem o Paraíso – Caio Fernando Abreu #resenhas | NITROLEITURAS

Depois da minha jornada pela Jerusalém do Alan Moore  decidi finalmente ler as três obras mais importantes de Caio Fernando de Abreu, um dos nossos mais importantes escritores da geração dos anos 80! Seguem as resenhas dos três livros, Morangos Mofados, Onde Andará Dulce Veiga, Os Dragões Não Conhecem o Paraíso.


Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu | Agir, 2005 (1ªed. 1982) | 200 pgs. | NITROLEITURAS | Lido de 23.10.16 a 24.10.16

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SINOPSE

Morangos mofados é uma das mais importantes obras de Caio Fernando Abreu. Com este livro, o autor tornou-se um sucesso editorial na década de 1980 ao expor o que há de mais profundo no ser humano.

A série de contos que se entrelaçam como se fossem um romance trata de dor, fracasso, encontros, amores e esperança. Os textos abordam os anseios da geração dos anos 70 e a falta de perspectiva de concretizá-los. Apesar da passagem temporal, tais questionamentos podem ser considerados parte da realidade dos dias de hoje e conseguem envolver os leitores.

O autor, homossexual assumido, é apontado como um dos expoentes de sua geração. Ele faleceu em 1996 e deixou como marca registrada seu estilo econômico e bem pessoal em obras permeadas por temas totalmente humanos, como o sexo, o medo, a morte e a solidão.

RESENHA

Foi um choque total esse meu primeiro contato com a paixão em forma de literatura do Caio Fernando Abreu. É uma daquelas experiências de leitura que dão vertigem, onde, à medida que se vai lendo, o chão vai abrindo sobre os pés e um novo universo de concepções, emoções, pontos de vista se abre para a gente.

A prosa é direta e bem confessional, os narradores se abrem totalmente para o leitor, não importa o que aconteça na narrativa.

É realmente uma das obras mais relevantes como expressão da geração brasileira dos anos 60, a geração que ao mesmo tempo enfrentou a repressão violenta do golpe militar, tinha se comprometido em realizar a revolução sexual, com a literatura posterior revelando novas narrativas, tanto expondo o erotismo feminino começando a se soltar dos ranços da cultura tradicional, como visões mais intimistas e humanizadas da homossexualidade, vista por dentro, sem julgamentos.

Os contos de Morangos Mofados parecem ser uma espécie de reflexão ou exorcismo das questões de identidade, busca existencial, sexualidade, drogas que o pessoal na vanguarda cultural dos anos 60 e 70 enfrentou. E uma reflexão honesta, dura porém com muita paixão, sem ilusões românticas ou nostalgia pelo “sonho que tinha acabado”, mas com sensibilidade e poesia.

Muitos dos contos lidam com indivíduos que são rejeitados ou punidos porque sua conduta sexual e seu desejo de liberdade de ser eram incompatíveis e inaceitáveis pela sociedade brasileira de seus períodos históricos.

É nessa periferia do contexto social onde Caio Fernando de Abreu trabalha, dando voz a marginalizados, drogados, homossexuais, prostitutas, travestis. E ao mesmo tempo, com o poder de sua literatura, e de suas frases polidas até virarem diamantes, universaliza a experiência desses marginalizados, humanizando o leitor e mostrando que todos, TODOS nós sofremos pelas mesmas coisas e nos humanizamos quando sentimos isso, sentimos essa empatia no fundo de nossas almas.

Recomendadíssimo!

RECOMENDADO PARA QUEM CURTE:

Contos maravilhosamente bem escritos.

Prosa mais que perfeita.

Literatura confessional.

Sublinhar frases em livros (cuidado para não sublinhar o livro inteiro).

Literatura com temática LGBT.


CITAÇÕES

Sua invisibilidade não o invisibilizava, encadernava-o. CAIO FERNANDO ABREU, Morangos Mofados #citação

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Onde Andará Dulce Veiga?: Um Romance B- Caio Fernando Abreu  | Cia. das Letras, 1990, 250 pgs | NITROLEITURAS | Lido de 25.10.16 a 26.10.16

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SINOPSE

Essa obra é a segunda incursão do autor pelo gênero romance. Tendo como coadjuvantes os universos da redação jornalística e da música popular dos anos 1980, esta ficção-verdade desvenda o desejo reprimido e o tesão liberado, a convivência com um mundo opressivo e a maneira de fugir dele.

RESENHA

Adoro quando um escritor daquilo que muitos críticos chamam, infelizmente, de “alta literatura” ou “literatura séria”; (termos horríveis e arrogantes, pois parece que os autores de literatura de gênero especulativo ou popular não levama sério o que fazem!), resolve arriscar uma literatura de algum gênero mais definido, e com suas convenções já firmadas.

Essas obras híbridas me fascinam muito, pois curto ver como autores de fora de um gênero quebram as expectativas, ou retrabalham os elementos do estilo de narrativa que tomaram de base para suas obras.

“Onde Andará Dulce Veiga” é a versão Caio Fernandiana do romance de detetive, e a mistura deu tão certo que me deixou melancólico no final, pois com a morte precoce do Caio não teremos mais obras desse calibre para apreciar!

Prosa maravilhosa, é claro, personagens fantásticos, uma trama mirabolante, com bastante drama, e bem “pós-moderninha”, o tempo todo desconstruindo os pilares da literatura de detetive e do estilo cinematográfico dos romances best-sellers.

Caio incorpora tudo que estava acontecendo na cultura brasileira e paulistana do período (final dos anos 80), com os darks e góticos, a paranoia da AIDS, o estilo do rock mais agressivo da época, além de usar a trama para abordar questões de identidade homossexual, traumas do período ditatorial e escrever uma espécie de carta de amor ao cinema dos anos 60 e 70.

E como tem cinema nesse livro; referências cinematográficas encharcam as páginas e invadem até a prosa, com planos, contraplanos, zoons, closes, etc. aparecendo nas descrições.

Me lembrou muito a literatura do Paul Auster, esse noir existencialista pós-moderno em que o protagonista vai se desintegrando ao longo da narrativa.

Maravilhoso, lerei de novo, com certeza!

RECOMENDADO PARA QUEM CURTE:

Literatura Noir bem moderna.

Prosa mais que perfeita.

Literatura anti-detetivesca (que desconstrói os topos básicos da literatura de crime)

Literatura de temática LGBT

Literatura de busca existencial


Os Dragões não Conhecem o Paraíso – Caio Fernando de Abreu | Cia. das Letras, 1988, 160 pgs. | NITROLEITURAS | Lido de 27.10.16 a 28.10.16

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SINOPSE

Escritor da paixão, como foi chamado por Lygia Fagundes Telles, o gaúcho Caio Fernando Abreu reúne neste livro treze contos girando todos em torno do mesmo tema — o amor. Amor e sexo, amor e morte, amor e abandono, amor e alegria, amor e memória, amor e medo, amor e loucura são alguns de seus desdobramentos nestas histórias que formam uma espécie de retrato interior — tirado à beira do abismo — do Brasil de hoje.

RESENHA

Mais um livro de contos fantásticos e fortes do Caio Fernando Abreu. Nesses contos, o escritor sai um pouco (só um pouquinho) do seu universo pessoal e cria personagens ficcionais envolvidos em narrativas de desespero existencial, busca de amor, busca de qualquer coisa, descobertas e crescimento pessoal.

Pelos contos se vê uma critica feroz ao modo como a sociedade contemporânea e urbana, com seus produtos, suas modas, seu consumismo, desvaloriza e destrói as relações humanas, subulgando a sensibilidade e a memória.

Em um dos contos que me tocou muito, um dos personagens se dirige a um jovem da geração 80 ( a minha) e o faz ver sua apatia, seu medo de tudo, como parte da herança maldita que herdara dos anos 70.

E como isso é verdadeiro, me lembro de toda a paranóia da minha adolescência, a iminência da guerra nuclear com os EUA na época do toscão do Reagan, a AIDS travando nos aterrorizando, ao mesmo tempo que uma explosão de sexualidade, pornografia, erotismo na cultura (Maddona, videocassetes eróticos, etc.) nos deixava absolutamente perdidos nos anos 80.

É interessante ver essa análise feita tão perto da época, com o narrador comentando sobre a roupa preta dos Darks e da cultura gótica dos anos 80 (e que uso até hoje hahahaha) contrastava com o colorido dos hippies da sua geração do final dos anos 60. Ele até fala “nós quase conseguimos”, ao assumir o fracasso do “sonho”.

Outros temas caros a Caio aparecem nesses contos, como a jornada de amadurecimento de um adolescente homossexual, o estado de permanente auto-aniquilamento de um casal urbano de classe média quase chegando na meia-idade, entre vários outros.

A prosa nem precisa falar, é o Caio que está escrevendo, ou seja, frases lapidadas até a essência diamantina, diretas ao ponto, e capazes de descrever emoções complexas, e que me faz morrer de inveja de escritor (é quando a gente vê um escritor fazendo facilmente algo que para nós é praticamente impossível ou difícil para caramba!).

Recomendadíssimo!

RECOMENDADO PARA QUEM CURTE:

Contos urbanos cheios de paixão, dor e alguns de partir o coração.

Contos com temática LGBT.

Prosa mais que perfeita.

Frases fantásticas.

Contos que tocam no fundo da alma.


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