Jerusalem (2016) – Alan Moore | A OBRA MÁXIMA do Mago de Northampton! | NITROLEITURAS #resenha

Na minha vida de leitor voraz, e um dos motivos do meu vício declarado pela literatura, existe sempre a expectativa de se deparar com um livro que te arranque do chão e expanda sua consciência, ao ponto de se poder dizer “eu era uma coisa antes de ler esse livro e agora sou outra”. Eu sempre guardo esses incidentes como jóias preciosas na minha vida de leitor. Como quando li “Ilusões” de Richard Bach no começo da minha adolescência, ou Grande Sertões Veredas, na juventude, ou quando conheci Clarice, etc. etc.

Jerusalem é um desses incidentes. Um livro monumental, magnus opus, e incrivelmente DENTRO de tudo que o Alan Moore escreveu, dando sentido e expandindo os temas que o Mago de Northampton explorou em Watchmen, Monstro do Pântano e suas obras nos quadrinhos. E principalmente, expandindo o que ele fez em A VOZ DO FOGO (que agora considero como parte integrante de Jerusalém!

E vamos à resenha!

Jerusalem (2016) – Alan Moore | Liveright, 1.280 páginas | Lido de 06.10.2016 à 23.10.2016 | NITROLEITURAS

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SINOPSE

Poderoso em sua imaginação e estupefante em seu escopo, Jerusalém é uma história de tudo, contada do ponto de vista de centenas de personagens de diversos períodos históricos da região de Northampton, Inglaterra.

No épico Jerusalém, Alan Moore mistura as visões estasiásticas de William Blake e a Teoria do Eternalismo de Albert Eistein através das ruas e becos de sua cidade natal de Northampton, Inglaterra.

Nessa região imersa em decadência e demolições, que fora a capital da Inglaterra Saxônica, a eternidade aguarda entre as miseráveis barracas das residências populares para imigrantes e rejeitados pela sociedade.

Entre essas regiões povoadas por bandidos, prostitutas, viciados em drogas, artistas de rua, e mendigos, uma forma diferente e estranha de perceber o tempo está acontecendo, um evento que coloca diferentes períodos históricos acontecendo simultaneamente, ao mesmo tempo em que seres capazes de viajar pelos sonhos dos humanos, misteriosamente conduzem a vida de um certo número de pessoas escolhidas.

Empregando um caleidoscópio de formas e estilos literários, que variam desde o mais brutal realismo social à mais extravagante fantasia infantil, passando por peças de teatro até o extremos da fantasia e da ficção científica, Jerusalém possui uma multiplicidade de personagens fantásticos, que incluem vivos, mortos, e seres celestiais, envolvidos em uma tapeçaria narrativa que apresenta uma visão absoluta e eterna do drama humano em todo o seu esplendor.

Em suas páginas habitam demônios e anjos que decidem destinos humanos por meio de uma partida de sinuca. Vagabundos, prostitutas, fantasmas andam junto com figuras históricas como Oliver Cromwell, Samuel Beckett, a insana filha Lucia de James Joyce, Bufallo Bill, entre muitos outros.

Jerusalém é uma mitologia opulenta, feita a partir das vidas e dos sonhos dos rejeitados pela sociedade, e pela voz dos fantasmas deixados por todos que viveram e viverão em Northampton, que, de certa forma, se transforma em todas as cidades humanas.

RESENHA

Imagine um livro que mistura Charles Dickens, com Stephen King, Clive Barker, James Joyce, David Mitchel (Cloud Altas), que dá para ter uma idéia da monstruosidade literária doidimais que o Alan Moore criou com o seu JERUSALEM!

Moore constrói um mundo a partir de muitos pontos de vista diferentes, cada um escrito em UM ESTILO LITERÁRIO DIFERENTE (o cara é foda!), e todos personagens construídos de maneira soberba.

Tem de tudo, desde monges idosos da Baixa Idade Média, à poetas pós-modernos do século XXI, gangues de pivetes e meninos de rua fantasmas, prostitutas traficantes de drogas nos anos 2000 à ex-escravos do final do século 19 que foram para Northampton fugidos dos horrores do Tennessee.

Muitas das histórias, unificadas pelo caminhar de seus protagonistas por Northampton, variam vozes, estilos, vocabulário, viajando também pela própria literatura mundial. De teatro à literatura realista, de fluxo de consciência Joyciano à poesia estilão T.S. Eliot.

O mais legal é que as histórias são interessantes, mesmo com toda a carga de experimentação literária e erudição. A linguagem varia muito, mas é sempre colocada EM FUNÇÃO DA HISTÓRIA e não o contrário.

Moore usa toda sua experiência de contador de histórias, para manter o mistério, o suspense, e todos os ganchos dramáticos que mantém o leitor ligado e querendo ler mais. Ou seja, ele fez aquela mistura viciante, uma literatura que é ao mesmo tempo um “page-turner” mas que também respeita e desafia a inteligência do leitor.

É também um livro sobre Northampton e sobre a formação do imaginário inglês, com todas as idiossincrasias, contradições e tradições do povo inglês. Moore usa da fantasia para questionar e discutir aspectos da psicologia coletiva dos ingleses, e como seus traumas históricos, como a guerra civil liderada por Cromwell, continuam reverberando no inconsciente dos britânicos.

Outro tema interessante é a relação entre a arquitetura e a psique humana, como estramos muito mais ligados, por meios conscientes e inconscientes, aos ambientes em que vivemos do que sequer imaginamos.

Poderia ser considerado mais uma obra do NEW WEIRD, a literatura de fantasia contemporânea que começou na década de 1990 e atingiu o “mainstream” por meio de em uma série de romances e contos publicados entre 2001 e 2005. Os escritores envolvidos são principalmente romancistas que são considerados partes do horror e / ou gêneros ficção especulativa, mas que muitas vezes atravessam as fronteiras de gênero, como China Miéville, Jeff VanderMeer, K. J. Bishop e Steph Swainston, entre muitos outros.

Pois bem, o Alan Moore, um dos inspiradores e guru de muitos dos escritores do New Weird, chegou, arrebentou e mostro como é que se faz uma literatura realmente “estranha” com Jerusalém. Em suas páginas li as descrições mais ALUCINÓGENAS que já passaram por esses meus olhos velhos e carcomidos por tantas leituras. E tudo com muita poesia e uma prosa de altíssima qualidade poética e literária. Em resumo, DOIDIMAIS VÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉIO!

Um dos temas que mais me marcaram foi sobre a eternidade de cada momento da vida, a percepção poética e existencial de que, cada momento, cada segundo que vivemos é completo, é eterno em si mesmo.

É incrível ver, de uma maneira e um estilo diferente, um tema que é tão caro para Clarice Lispector, cujo livro Todos os Contos li recentemente. Dois mestres da escrita ecoando e por que não, em diálogo, mesmo separados pelo tempo, pela linguagem e pela cultura. Literatura é uma coisa maravilhosa mesmo!

“Moore” é mesmo “more” porque o livro é uma overdose de textos, histórias e informações. As referências são inúmeras, as narrativas se remetem a milhares de outros textos, filmes, etc. como Peter Pan, na narrativa dos Dead Dead Boys (que é também uma espécie de Harry Potter lovecraftiano bem hardcore!), Neuromancer, muito Charles Dickens, etc.

Uma parte significativa da narrativa segue a linha da jornada metafísica, misturando tanto a Divina Comédia de Dante quanto o Fausto de Goethe.

Outras pérolas do livro: Um capítulo narrado pelo ponto de vista de Lucia Joyce, a filha louca de James Joyce; um clímax feito dentro de uma exposição de arte contemporânea, uma viagem A PÉ até o fim do nosso universo, sem sair de Northampton, etc.

No final, Alan Moore criou uma espécie de épico cósmico, que, mesmo sendo um mosaico de diversas histórias, vários protagonistas e até mesmo estilos literários diferentes, possui uma organicidade que impressiona, com cenas sendo revisitadas constantemente por pontos de vistas radicalmente diferentes entre si, mas unidas pelo controle dos temas abordados.

Recomendadíssimo!

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RECOMENDADO PARA:

Quem curte romances mais “literários” e desafiadores.

Quem curte misturebas de realismo fantástico, ficção científica, horror, fantasia, poesia, teatro, etc.

Quem é fã do trabalho do Alan Moore, é a obra prima do velho mago!

Quem quer conhecer TUDO, e eu quero dizer TUDO MESMO sobre a história da ALMA de Northampton, a terra natal do Moore!

Quem queira ler uma das obras literárias mais interessantes dessa década!


CITAÇÕES

Seguem as citações que postei no meu INSTAGRAM durante a leitura:


Todos nós estamos em uma recorrência sem fim.Cada momento é para sempre,e se isso for verdade,qualquer ser miserável é um dos imortais. ALAN MOORE, Jerusalém #citação #livros #lendo #nowreading #alanmoore#jerusalem #quote #book

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Stan Lee e suas fantasias neuróticas de poder da classe média branca do Pós Guerra é o melhor q o sec. 21 pode oferecer? ALAN MOORE, Jerusalem | 77‰ lido, 924 pgs, só faltam 276 pgs para terminar esse LIVRO MARAVILHOSO! Recomendadíssimo! #alanmoore #jerusalem #reading#lendo #livros #book #novel #nowreading

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Sendo honesto consigo mesmo, ele acabou sendo melhor na morte do que jamais fora na vida.. ALAN MOORE, Jerusalém #alanmoore #jerusalem #quote #book #nowreading

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Civilização foi a primeira história de ficção científica da humanidade. ALAN MOORE #jerusalem

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Todas as guerras eram guerras santas…pq tem sempre alguém q as santifica p/servirem aos seus propósitos ALAN MOORE, Jerusalem #alanmoore #jerusalem #quote | 50% lido, 615 páginas, faltam mais 615 ainda e já estou de luto literário, a deprê q me dá quando sei q vai chegar o momento em que um livro fantástico acabará… :)

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