A Cidade e as Serras – Eça de Queiroz | Pelo retorno a natureza do Homem do Século 19! | NITROLEITURAS #resenha

Uma ótima surpresa do Mestre Eça, uma ácida e bem humorada crítica da loucura da vida urbana-consumista-alientada da alta burguesia, divertida de se ler!


A Cidade e as Serras – Eça de Queirós | Leya 2010,(1ed, 1901), 240 páginas | Nota 4 em 5 | Lido de 10.08.16 a 11.08.16 | NITROLEITURAS
a cidade e as serras
SINOPSE
A Cidade e as Serras é um romance de Eça de Queirós, publicado em 1901, pertencente à última fase do escritor, onde se afasta do realismo e abandona a crítica pesada que fazia à sociedade portuguesa da época. O próprio título já indica sobre o enredo. Nesse livro, Queirós faz uma comparação entre a vida módica e agitada de Paris e a vida tranquila e pacata na cidade serrana de Tormes.

Este romance pertence à 3ª fase de Eça de Queirós, que é caracterizada pela pacificação do artista, pela sua visão mais optimista da pátria pelos momentos de esperança e reconciliação dele com o carácter do homem lusitano. Essa visão esperançosa do autor veio do interior de Portugal, onde as pessoas ainda não estavam contaminadas pelos falsos valores tecnológicos do mundo urbano. Somente no campo que se encontrava bons ares da região serrana, boa comida típica do interior, bons vinhos e a proximidade com o interior.

RESENHA
Um livro divertidíssimo, uma espécie de crítica bem humorada e bem ácida do Eça em relação aos exageros e a loucura pré-modernista do final do século 19.

Através da relação do protagonista com o personagem Jacinto, um urbanóide da época viciado nas novas tecnologias do fim-de-siecle, Eça cria um retrato satírico da elite urbana da época mostrando o lado ridículo do entusiasmo com o progresso industrializante da segunda parte do século 19.

Ao mesmo tempo, a narrativa também mostra o que costumo chamar de “maldição de Prometeus”, um elemento da condição humana de que, uma vez que se escuta uma nova idéia, ou se tem uma nova experiência, melhor ou diferente, ou que amplia os limites e a visão de mundo anterior, é impossível retornar ao estado puro e inocente de antes.

Em termos de “As Cidades e as Serras”, mesmo com a loucura das quinquilharias, da moda, das vaidades e das novas dos centros urbanos, as manias mimadas de seus habitantes, as gerigonças que criam desejos e necessidades inexistentes; aqueles que experienciam isso encontram uma dificuldade extrema de retornar ao primitivismo brejeiro da roça. Ou, apenas através de uma hipocrisia a toda prova, através de um auto-engano sem limites, conseguem passar a imagem que são pessoas que podem “viver uma vida simples”.

Mesmo assim, a narrativa faz uma crítica bem humorada a vida urbana propondo a restauração do “homem do século 19” através de um retorno à vida rústica das serras. Lógico que, como no caso do romance, ajuda se esse retorno é feito com muito dinheiro no bolso, hahahahaha!

Merece destaque a detonação do Eça de Queiroz em cima da filosofia pessimista do Arthur Schopenhauer, muito divertida, coloquei uma parte dela logo abaixo dessa resenha. E todas as críticas feitas para a loucura materialista e consumista da vida urbana parisiense do século 19 valem para o nosso mundo de 2016! Impressionante!

Recomendadíssimo, Eça é sempre de leitura obrigatória, pela prosa, pela narrativa, pelas metáforas criativas, pelo humor irônico e pela acidez do seu texto, que, talvez por isso, se mantém tão contemporâneo!

Nota 4 em 5!


CITAÇÕES

“– Ó! Que engenhosa besta, esse Schopenhauer! E a maior besta eu, que o sorvia, e que me desolava com sinceridade! E todavia – continuava ele, remexendo a chávena – o Pessimismo é uma teoria bem consoladora para os que sofrem, porque desindividualiza o sofrimento, alarga-o até o tornar uma lei universal, a lei própria da Vida; portanto lhe tira o caráter pungente duma injustiça especial, cometida contra o sofredor pôr um Destino inimigo e faccioso! Realmente o nosso mal sobretudo nos amarga, quando contemplamos ou imaginamos o bem do nosso vizinho: – porque nos sentimos escolhidos e destacados para a infelicidade, podendo, como ele, Ter nascido para a Fortuna. Quem se queixaria de ser coxo – se toda a humanidade coxeasse? E quais não seriam os urros, e a furiosa revolta do homem envolto na neve e friagem e borrasca dum Inverno especial, organizado nos Céus para o envolver a ele unicamente – enquanto em redor, toda a Humanidade se movesse na luminosa benignidade duma Primavera?

– Com efeito – murmurei eu – esse sujeito teria imensa razão para urrar…

– E depois – clamava ainda o meu amigo – o Pessimismo é excelente para os Inertes, porque lhes atenua o desgracioso delito da Inércia. Se toda a meta é um monte de Dor, onde a alma vai esbarrar, para que marchar para a meta, através dos embaraços do mundo? E de resto todos os Líricos e Teóricos do Pessimismo, desde Salomão até o maligno Schopenhauer, lançam o seu cântico ou a sua doutrina para disfarçar a humilhação das suas misérias, subordinando-as todas a uma vasta lei de Vida, uma lei Cósmica, e ornando assim com a auréola de uma origem quase divina as suas miúdas desgraçazinhas de temperamento ou Sorte.

O bom Schopenhauer formula todo o seu schopenhauerismo, quando é um filósofo sem editor, e um professor sem discípulos; e sofre horrendamente de terrores e manias; e esconde o seu dinheiro debaixo do sobrado; e redige as suas contas em grego nos perpétuos lamentos da desconfiança; e vive nas adegas com o medo de incêndios; e viaja com um copo de lata na algibeira para não beber em vidro que beiços de leproso tivessem contaminado!…

Então Schopenhauer é sombriamente Schopenhauerista. Mas apenas penetra na celebridade, e os seus miseráveis nervos se acalmam, e o cerca uma paz amável, não há então, em todo Francoforte, burguês mais otimista, de face mais jucunda, e o gozando mais regradamente os bens da inteligência e da Vida!… e outro, o Israelita, o muito pedantesco rei de Jerusalém!

Quando descobre esse sublime Retórico que o mundo é Ilusão e Vaidade? Aos setenta e cinco anos, quando o Poder lhe escapa das mãos trêmulas, e o seu serralho de trezentas concubinas se lhe torna ridiculamente supérfluo. Então rompem os pomposos queixumes! Tudo é verdade e aflição de espírito! nada existe estável sob o Sol! Com efeito, meu bom Salomão, tudo passa – principalmente o poder de usar trezentas concubinas!

Mas que se restitua a esse velho sultão asiático, besuntado de Literatura, a sua virilidade – e onde se sumirá o lamento do Eclesiastes? Então voltará em Segunda e triunfal edição, o êxtase do Livro dos Cantares!…

Assim discursava o meu amigo no noturno silêncio de Tormes. Creio que ainda estabeleceu sobre o Pessimismo outras coisas joviais, profundas ou elegantes – mas eu adormecera, beatificamente envolto em Otimismo e doçura.”
“A Cidade e as Serras” – Eça de Queiroz


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Um comentário em “A Cidade e as Serras – Eça de Queiroz | Pelo retorno a natureza do Homem do Século 19! | NITROLEITURAS #resenha

  1. Opa! Eaí? tudo bem? Espero que sim!
    Então cara, tô criando um sistema, com um livrinho e talz*, que vou disponibilizar ao público, daí eu queria saber 2 coisas:
    Como eu posso deixá-lo melhor, sendo que algumas raças e classes “não existem” ou então não tem representações gráficas adequadas à minha descrição*
    E como eu poderia criar uma ficha de personagem própria ao sistema
    Desde já agradeço pela atenção, SUCESSO!

    *1=O sistema será gratuito e ainda não sou experiente em criar sistemas, então PDF e outras coisas nada sei
    *2=Não tenho mesa digitalizadora e não sou um bom desenhista ;-;

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