Avalovara – Osman Lins | Uma Obra Prima de Arquitetura Literária! | NITROLEITURAS

Eis que finalmente chega o momento de ler o clássico da literatura brasileira pós-moderna, Avalovara, uma obra de impressionante arquitetura literária e celebrada por críticos como o mestre Antônio Cândido.


Avalovara – Osman Lins | Cia. das Letras, 1995 (1ed. 1973), 384 páginas | Nota 4 em 5 | Lido de 03.08.16 a 05.08.16 | NITROLEITURAS

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SINOPSE

Avalovara é um romance brasileiro de 1973, escrito por Osman Lins e com primeira edição publicada pela editora Melhoramentos. É considerado a obra-prima do escritor pernambucano, pelo equilíbrio entre a investigação formal e a abordagem das questões humanas.

A obra baseia a sua estrutura e o seu enredo no Quadrado Sator . O romance atribui a criação do palíndromo SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS a um escravo de Pompeia, Loreius. Para obter sua liberdade, ele compõe o quadrado mágico, atendendo a um desafio do seu amo. No entanto, revela o segredo a uma cortesã, que o trai.

O leitor é convidado a a percorrer um labirinto de letras que identificam capítulos, onde é narrado de forma fragmentária e superposta o relacionamento de Abel com três mulheres: Cecília, Roos e uma que é só identificada por um símbolo.

No labirinto aparece outras histórias: a do suposto pergaminho da Biblioteca Marciana de Veneza (de Marcos, não de Marte) que contém o quadrado mágico com a frase em latim: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS, a do relógio de Julius Heckethorn, a história da personagem representado por um símbolo e a história do próprio Abel.

A distribuição dos capítulos segue uma sequencia ditada por dois parâmetros: o quadrado mágico com a frase latina e um a espiral que o percorre.

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O tema de Loreius em sua busca da liberdade se alterna com a história de Abel, um jovem escritor brasileiro que busca seu amor em diversos lugares do Brasil e da Europa. Ao mesmo tempo, Abel tenta compreender a relação entre o artista e a obra, numa possível interpretação da frase inscrita no quadrado – “O criador mantém cuidadosamente o mundo em sua órbita”

As narrativas se intercalam, explorando os formatos do quadrado e da espiral. Segundo o próprio autor, essa organização foi a sua forma de refletir sobre “a transição do caos ao cosmos”[6] . Lins também povoa a obra de referências a clássicos iterários como A divina comédia, de Dante Alighieri, Werther, de Goethe, Moby Dick, de Herman Melville, e La modification, de Michel Butor.



RESENHA

Medonho, impressionante, hermético, poético, Avalovara é isso tudo.

É uma obra para quem curte a linguagem literária em si, para quem aprecia o jogo poético de palavras, cenas, emoções, conceitos, e a montagem e a quebra contínua da ilusão de realidade gerada pela literatura.

E para quem quer ver um escritor absolutamente LOUCO em termos de estrutura, o romance segue quase que um esquema matemático fractal no entrelaçamento de oito narrativas dentro de uma espiral inscrita no Quadrado Sator (não esquente, se você ler Avalovara, vai saber o que é esse tal Quadrado Sator!).

E realmente é um troço de doido, pós-modernérrimo, hermético, misterioso, cheio de configurações medonhas e entrelaçamentos narrativos!

A experiência de leitura é totalmente alucinógena e poética, a narrativa passa por momentos de caos e ordem, por passagens narrativas cinematográficas, cenas de sonhos, cenas eróticas psicodélicas, e muita poesia, com frases maravilhosas, tristes, melancólicas, visionárias. É uma espécie de uma obra brasileira do mesmo escopo da Odisséia de James Joyce, Avalovara é uma experiência literária poderosa, recomendada para leitores que realmente curtam literatura poética e com muito estilo e autores.

“Avalovara” é uma narrativa experimental unificada pelo amor e o desejo entre os protagonistas, que se processa em cenas eróticas e de exploração da sensualidade, misturando pontos de vista e mergulhando em uma experiência interna da mistura de almas que acontece em uma relação profunda.

E o que impressiona é a coexistência do caos e da ordem na narrativa, da fantasia e do realismo, do imprevisto e do calculado, desde a concepção da obra como na execução.

Recomendadíssimo, uma jóia da nossa literatura, única na literatura mundial, acredito!

Nota 5 em 5!


CITAÇÕES

“Desenhai, com auxílio de um compasso, se é de vossa índole ser cuidadoso, ou a mão livre, se tendeis para as soluções mais fáceis, uma espiral. Atentai, com cuidado, para as extremidades da linha, a interior e a exterior. Vereis, ao primeiro olhar, que a espiral não nos transmite uma impressão estática: parece-nos, antes, vir de longe, de sempre, tendendo para os centros, seu ponto de chegada, seu agora; ou ampliar-se, desenvolver-se em direção a espaços cada vez mais vastos, até que a nossa mente não mais alcance. A verdade é que, se a seccionamos nas extremidades, arbitrariamente o fazemos; fazendo-o, guardamo-nos da loucura. Nem a eternidade bastaria para chegarmos ao término da espiral – ou sequer ao seu princípio. A espiral não tem começo nem fim.”

“A ESPIRAL E O QUADRADO

À altura do ano 200 a.C. reside em Pompéia, então no auge do esplendor, o comerciante Publius Ubonius. Extremamente curioso, tente a especular sobre o incompreensível, viaja sempre que pode (vende, inclusive, produtos hindus) e hospeda mercadores em sua própria casa, como o único propósito de ouvi-los.

Recebe, através do tempo e das distâncias, diluídos, adulterados, talvez ungidos de magia, resíduos da matemática egípcia, da astronomia babilônica e dos ensinamentos pitagóricos.

Um servo, Loreius, sempre perseguido por sonhos enigmáticos, alguns verdadeiros, outros talvez invetados para atrair a curiosidade fácil do amo, afigura-se, a Publius Ubonius, o interlocutor ideal. Não rato, o comerciante esquece a esposa, os filhos e os negócios, para entreter discussões com Loreius.

Acaba, em consequência de tantas e cada vez mais exaltadas conversas, por prometer ao servo liberdade, se este descobrir uma frase significativa e que possa, indiferentemente, ser lida da esquerda para a direita – e ao revés.

Não só isto: sotopondo as palavras de que se componha, possa ser lida também na vertical, inicie-se a leitura do ângulo esquerdo superior ou do inferior direito. Em qualquer sentido, afinal, que se empreender a leitura da frase, deverá esta permanecer identical a si mesma. Quer Publius Ubonius, incapaz, não obstante suas perquirições, de concentrar-se no problema, representar a mobilidade do mundo e a imutabilidade do divino.

A imutabilidade do divino encontraria sua correspondência na imutabilidade da frase, com o seu princípio refletido no seu fim; enquanto a mobilidade do mundo teria sua replica nas variadas direções seguidas para a leitura da mesma expressão e também na possibilidade de criar, com as letras constantes dessa frase imaginada, que Ubonius não conhece mas deve existir, outras palavras.

Os sonhos de Loreius multiplicavam-se; suas vigílias são desesperadas. Antes de tudo, decide a extensão da sentença, que deverá ter cinco palavras. Ultrapassar este limite, parece-lhe uma ostentação; uma fraqueza contentar-se com menos. Além do mais, o número abriga significados cabalísticos, para ele importantes, havendo, dentre outras, a ilação entre o cinco e o pentágono estrelado, emblema universal da vida.

Sendo a frase composta de cinco termos, cada um destes, forçosamente, teria cinco letras, de modo a possibilitarem, agrupados uns sobre os outros (se lidos no sentido horizontal) ou lado a lado (se no vertical), as permutes exigidas pela obstinação de Ubonius.

Prepararam os dois homens, como se verá, e sem o saberem, o plano desde romance onde ressurgem e do qual são colaboradores. Contempla-os, com gratidão, o narrador, por sobre os dois mil anos que a eles o unem.”

Avalovara, Osman Lins.


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