Trilogia Guerra da Rainha Vermelha, de Mark Lawrence – Prince of Fools, The Liar’s Key e The Wheel of Osheim | A Jornada de um Príncipe Covarde! | NITROLEITURAS #resenha

E vamos para mais uma trilogia de Fantasia Brutal (a minha tradução para o Grimdark Fantasy, o estilão sangrento e mal encarado e popularizado por Joe Abercrombie e George R.R. Martin)!


Prince of Fools (The Red Queen’s War #1) – Mark Lawrence | Ace, 2014 | 355 páginas | Lido de 08.07.16 a 12.07.16 | Nota 4 em 5

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SINOPSE

A rainha vermelha é velha, mas os reis da Império Quebrado a temem como a nenhum outro governante. Para todo seu reinado, ela lutou a longa guerra, brigando em segredo, contra as potências que estão por trás nações, arriscando por recompensas melhores do que terra ou ouro. Sua maior arma é a Irmã Silenciosa, desconhecida pela maioria ignorante e não comentada por ninguém.

Neto da Rainha Vermelha, Prince Jalan Kendeth é um homem sem caráter, bebedor, jogador e mulherengo. Entretanto é o único que pode ver a Irmã Silenciosa. Décimo na linha de sucessão ao trono e contente com seu papel como um nobre menor, ele finge que a velha hedionda não está lá. Mas a guerra está chegando. Testemunhas afirmam um exército de mortos vivos está em marcha, e a Rainha Vermelha invoca sua própria família na defesa do reino. Jal pensa que é tudo um rumor, nada que irá afetá-lo, mas ele está errado.

Depois de escapar de uma armadilha de morte estabelecido pela Irmã Silenciosa, Jal encontra seu destino magicamente entrelaçado com um guerreiro nórdico feroz. Como os dois empreendem uma viagem através do Império para desfazer o feitiço dos mortos vivos, ele encontram graves perigos, mulheres belíssimas, e um príncipe arrogante chamado Jorg Ancrath, Jalan gradualmente começa a descobrir que ele e o guerreiro nórdico são apenas peças de um jogo, parte de uma série de movimentos na Longa Guerra e que a Rainha vermelha é quem realmente controla o seu destino.

RESENHA

Mark Lawrence acerta de novo com suas narrativas de fantasia medieval brutal focada no desenvolvimento de um personagem anti-herói. E dessa vez, em “Prince of Fools”, o primeiro volume da trilogia da Guerra da Rainha Vermelha, ele aumenta mais a dose de humor negro e de auto-crítica da própria tradição da narrativa de fantasia épica, através de um novo protagonista anti-herói, o malandro, mulherengo, mentiroso, cafajeste e engraçadíssimo, o Príncipe Jalan Kendeth. E, junto com um gigante viking ao mesmo tempo violento pra caramba e super-bonzinho, o doidimais do Snorri.

O livro é narrado em primeira pessoa, assim como a trilogia anterior, a saga do Império Quebrado. Mas, diferente do cruel e brutal narrador da saga anterior, o violento e sanguinário Príncipe Jorgm, Jalan é engraçado e malandrão, cafajeste, covarde aproveitador de mulheres e “bon vivant”. Talvez, como na outra trilogia, isso poderá afastar alguns leitores e leitoras, mas, se você curtir o ponto de vista anti-heróico e cafajeste do narrador, se prepare para uma jornada muito divertida.

O clima do livro, apesar de conter temas sombrios, como massacres, escravidão, e guerra, poderia ser naquele esquema da Sessão da Tarde, “uma dupla do barulho atrás de grandes confusões”. O que é legal demais! Mark Lawrence dá a sua versão das grandes duplas de aventureiros da “sword and sorcery”, nesse caso, achei que a proposta era uma espécie de homenagem e recriação junto com desconstrução da famosa dupla Fafhrd e o Gray Mouser, do mestre Fritz Leiber. Em outros momentos, me lembrei das melhores cenas do Trinity e do Bambino, cheias de pancadaria e bromance total!

O livro também segue uma tradição literária de aventuras de cafajestes, como as sagas de Casanova, e as Aventuras de Tom Jones (que recomendo!), com o Jal tecendo comentários sarcásticos em tudo que encontra, como quando ridiculariza a doideira pró-violência da cultura épica dos vikings, por exemplo.

O estilo mais aventuresco e com mais humor, contrasta bem com a amargura da trilogia anterior, além desta conter mais, ou melhor, beeem mais magia de que a outra.

A prosa é bem escrita, toda dentro do ponto de vista do Jal, o que permite momentos de humor e crítica, além de um mergulho profundo na alma, mesmo que bem rasa hahahaha!, do personagem. O mundo do Império Quebrado é mais delineado ainda, e para os fãs da trilogia anterior, acredito que irão soltar gritos de alegria nerd em um dos momentos do livro em que um personagem importante da outra trilogia aparece!

Curti muito esse primeiro livro, gosto muito mais do Jal do que do Jorg (o protagonista da série anterior)!

Recomendo “Prince of Fools” para quem curte narrativas de Espada e Feitiçaria, estilo Conan, quem curte os romances do Bernard Cornwell ou histórias com vikings, quem curte anti-heróis safados mas que, lá no fundo, bem no fundo mesmo, quase sumindo de tão fundo, possuem um coração de ouro, quem curte aventuras de fantasia que misturam violência, drama com humor.

Nota 4 em 5

CITAÇÕES E TRECHOS

“I’m a liar and a cheat and a coward, but I will never, ever, let a friend down. Unless of course not letting them down requires honesty, fair play, or bravery.”

“Humanity can be divided into madmen and cowards. My personal tragedy is in being born into a world where sanity is held to be a character flaw.”

“We all practice self-deception to a degree; no man can handle complete honesty without being cut at each turn. There’s not enough room in a man’s head for sanity alongside each grief, each worry, each terror that he owns. I’m well used to burying such things in a dark cellar and moving on.”

“With Snorri troubles were always put front and centre and dealt with. My style was more to shove them under the rug until the floor got too uneven to navigate, and then to move house.”

“I’ve always felt that the placement of a man’s testicles is an eloquent argument against intelligent design.”

“Bravery may be observed when a person tramples one fear whilst in secret flight from a greater terror. And those whose greatest terror is being thought a coward are always brave. I, on the other hand, am a coward.”

― Mark Lawrence, Prince of Fools


The Liar’s Key (The Red Queen’s War #2) – Mark Lawrence | Ace 2015 | 480 páginas | Lido de 13.07.16 a 18.07.16 | Nota 4 em 5

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SINOPSE

A Rainha Vermelha colocou suas peças dentro do tabuleiro do poder do Império Quebrado.

O inverno está mantendo príncipe Jalan Kendeth longe dos prazerosos luxos de seu Palácio do Sul. E apesar de seu companheiro, o guerreiro nórdico Snorri ver Snagason estar em casa naquele frio terrível, ele também está ansioso para viajar.

Porque o viking está pronto para desafiar todo o inferno para trazer sua esposa e filhos de volta para o mundo dos vivos. Ele tem a chave de Loki – agora tudo que ele precisa é encontrar a porta, e descobrir os segredos escondidos em suas próprias memórias.

Enquanto isso, o Rei Morto busca a chave para abrir mundo dos mortos – e fazer com que seus súditos mortos-vivos possam controlar os vivos. E a guerra da Rainha Vermelha com a Rainha Azul continua.

RESENHA

Melhor ainda que o primeiro volume, a mistura de humor com os temas sombrios da fantasia brutal (ou “grimdark”) funciona novamente! E dessa vez, depois dos personagens já construídos no primeiro volume, Mark Lawrence foca mais na construção de mundo, e adiciona uma complexidade maior (e as vezes até exagerada!) na trama da Guerra da Rainha Vermelha.

O elemento de diversão continua alto, e até mesmo recomendaria a saga da Guerra da Rainha Vermelha para quem achou muito sombria e cruel a saga anterior do Lawrence, a do Príncipe dos Espinhos. O Príncipe Jalan Kendeth é um protagonista muito mais simpático do que o Jorg Ancrath (que era um monstro, na verdade), um príncipe covarde, arrogante, mulherengo e bem “playbozão”, mas, que sempre entra em enrascadas e se ferra o tempo todo (uma técnica clássica para lidar com anti-heróis, com os seus fracassos constantes na narrativa provocando a identificação com o leitor).

O interessante é a jornada de Jorg, que mesmo com todos esses defeitos, começa a desenvolver uma consciência e a mostrar um “coração de ouro”, criando um arco muito interessante, e que é mais pronunciado em “Liar’Key”.

A narrativa continua dentro do tropo da “jornada”, com mais viagens pelo Império Quebrado, com episódios alternando ação, encrencas, cenas de horror e correia, e aproveitando para mostrar novos lugares interessantes do cenário da saga.

Nesse volume descobrimos também mais sobre o passado da narrativa, através de cenas de flashback que dão mais profundidade para a série e revelam uma trama complexa, bem planejada e cheia de camadas.

Esse segundo volume continua abordando os temas da covardia versus valentia, do ponto de vista do covarde dentro de um mundo de fantasia épica, temas sobre a lealdade e o valor de uma consciência, e a desumanização causada pelo materialismo e o apego ao dinheiro. A narrativa também faz uma crítica bem explícita aos bancos e ao sistema financeiro, em uma das partes mais engraçadas da história.

Inclusive, as fracassadas e engraçadas peripécias eróticas do protagonista são algumas das cenas que mais curti em “Liar’s Key”!

É um dos livros mais longos do Lawrence, e com mais de 500 páginas narradas em primeira pessoa, pode cansar alguns leitores. Entretanto, eu curti muito a leitura, é um “page turner”, com cenas sempre fechando em ganchos. Assim como o final, estejam avisados, o livro termina em um gancho muito bom, e deixa o leitor doido para ler o último volume da trilogia!

CITAÇÕES

“Still, children hope in ways adults find hard to imagine. They carry their dreams before them, fragile, in both arms, waiting for the world to trip them.”

“Every fortune-teller I ever met was a faker. First thing you should do to a soothsayer is poke them in the eye and say, ‘Didn’t see that coming, did you?”

“Sometimes my lies impressed the hell out of me.”

“Throw away too much of your past and you abandon the person who walked those days. When you pare away at yourself you can reinvent, that’s true enough, but such whittling always seems to reveal a lesser man, and promises to leave you with nothing at the end.”

“Sixty beats of a heart would be enough. If I could hold them. Let them know I came for them no matter what stood in my way. It would be enough. Sixty beats of a heart past that door would outweigh sixty years in this world without them.”

“The night can last twenty hours and even when the day finally breaks it never gets above a level of cold I call “fuck that”—as in you open the door, your face freezes instantly to the point where it hurts to speak, but manfully you manage to say “fuck that,” before turning round, and going back to bed.”

“A lie can run deeper than strength or wisdom.”

“Fear is a valuable commodity, it’s common sense compressed into its purest form.”

“The breaking of day changes all things, Snorri. Nothing endures beyond the count of the sun. Pile a sufficient weight of mornings upon a thing and it will change. Even the rocks themselves will not outlast the morning.”

“A consequence of boredom is that a man is forced to look either to the future or the past, or sideways into his imagination.”


The Wheel of Osheim (The Red Queen’s War #3) – Mark Lawrence | 2016, 656 páginas, Harper Voyager | Nota 4.5 em 5 |Lido de 19.07.16 a 26.07.16

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SINOPSE
A Saga da Guerra da Rainha Vermelha continua, quando um príncipe relutante retorna das entranhas do inferno para engajar na sua maior batalha até agora, entre os mortos e os vivos.

Todos os horrores do Inferno ficam entre Snorri Ver Snagason e seu desejo de resgatar a sua família, se realmente é possível que os mortos possam ser resgatados.

Para o príncipe covarde, Jalan Kendeth, retornar vivo do Ingerno com a chave de Loki é tudo que importa. A criação de Loki pode abrir qualquer porta, e pode ser também a chave para que Jalan recupere sua fortuna no mundo dos vivos.

Jalan planeja retornar aos três elementos que tem sido o centro de sua vida libertina: vinho, mulheres e jogos de apostas. O destino tem outros planos para ele, entretanto. A Roda de Osheim está girando cada vez mais rápida, e irá quebrar o mundo a não ser que seja parada.

Quando o final de todas as coisas se aproxima e não existe lugar para fugir, até mesmo o puor covarde precisa encontrar novas respostas. Jalan e Snorri enfrentam muitos perigos, desde hordas de mortos vivos do Rei Morto até os espelhos mágicos da Dama de Azul, mas no final de tudo, rápida ou devagar, a Roda de Osheim sempre os puxa de volta. No final, é vencer ou morrer.

RESENHA

Que final inesperado! Ou melhor, ao mesmo tempo esperado e inesperado.

No terceiro volume da Guerra da Rainha Vermelha, temos a culminação de várias linhas narrativas, todas unificadas pelo tema da mentira. Nada é o que parece ser, e tudo que se encontra é passível de uma segunda leitura. Inclusive o protagonista, Jalan Kendeth.

Esse efeito do “pós apocalíptico em um futuro que esqueceu o passado”, onde o leitor identifica elementos de tecnologia atual que os personagens desconhecem é bem mais enfatizado nesse terceiro livro, com o Lawrence explorando conceitos de física quântica, o paradoxo do observador, e outras bizarrices do espaço-tempo da física contemporânea, e colocando dentro de um cenário de espada e feitiçaria.

A mistura é bem bizarra e interessante, a narrativa segue de maneira muito imprevisível, mas o que segura, e o que diverte é o protagonista Jalan Kendeth, que, mesmo inistindo em seu egoísmo e covardia, acaba, de uma maneira ou outra, se tornando um herói (ou um anti-herói bonzinho).

Esse último volume tem história pra caramba! Muita aventura, muita ação, cenas épicas, e um final piradaço e bem apocalíptico, de acordo com o “setup” dos outros dois livros.

Para quem leu a trilogia dos Espinhos, o Jorg faz uma participação especial, e não só isso, o que ele aprontou na primeira trilogia causa gravíssimas consequências nessa trilogia.

Muitos segredos do mundo de Lawrence são revelados nesse último volume, segredos que acabam jogando toda a saga mais dentro da Ficção Científica do que da literatura de fantasia em si. As explicações são bem interessantes e bem em cima do que se discute em termos da natureza da realidade; mesmo com as pirações que o Lawrence coloca em cima.

Em resumo, um final sensacional para a trilogia, e recomendadíssimo para quem curte literatura de fantasia que ousa pirar no cabeção mesmo, e quem curte personagens bem desenvolvidos como protagonistas.

E uma dica, quem ficou horrorizado com o progatonista Jorg na trilogia dos espinhos e por isso não conseguiu ler, recomendo dar uma chance para a trilogia da Guerra da Rainha vermelha. O Jalan não é o monstro que o Jorg era, ele é sim, malandrão, covarde, mulherengo, etc. mas é muito divertido e engraçado, principalmente nas relações com os demais. Senti também que o Lawrence deu uma freiada na brutalidade (olha, tem muita brutalidade mas não tanto quanto na trilogia dos espinhos), o que contribuiu para o clima mais aventuresco da história (enquanto na trilogia dos espinhos, o clima era mais de conspiração, traição, assassinatos, golpes, etc.)

Nota 4.2 em 5!

CITAÇÕES

“Your dreams are what will tear you apart. Every man is the victim of his own imagination: we all carry the seeds of our own destruction.” He tapped a long finger to his forehead. “It feeds on your fears.”

“I’m an amiable drunk. Given enough time I always reach the point where every man is my brother.”

“Nothing paralyses a man so well as choice.”

“I warn you, Captain, God crafted these creatures for three things only. Passing wind from the rear end, passing wind from the front end, and spitting. They spit stomach acid so tell your men, and don’t let anyone venture into the hold with a naked flame or you may find yourself the master of a marvelous collection of floating splinters. Also, we’ll all drown.”

“The key if one wishes to avoid dwelling on unpleasant memories or inconvenient truths is to keep yourself occupied.”

“It strikes me that in this Hell a man of sufficient will, a man willing to sacrifice anything, might bend the world itself around his desire and create of himself whatsoever he wished. It also strikes me that I am not such a man. Snorri’s”

“Fuck that!” My turn to drop the scroll-case as though it were hot. “…your stewardness.”

“‘Highness’ is the correct form of address when the steward is of noble birth… if we’re being formal, Jalan.”

“Fuck that, your highness.”

“A man’s first taste of the poppy gives him something glorious and wonderful, something that he strives to recapture with each return to the resin, but in the end he needs to smoke it just to feel human. Life is the same for many of us—a few scant years of golden youth when everything tastes sweet, every experience new and sharp with meaning. Then a long slow grind to the grave, trying and failing to recapture that feeling you had when you were seventeen and the world rolled out before you.”
― Mark Lawrence, The Wheel of Osheim


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