NITROLEITURAS | Embassytown – China Miéville | Os Horrores do Colonialismo Espacial!

Uma ficção cientifica sofisticada que trabalha conceitos pós-estruturalistas da linguagem, em um futuro distante em que a humanidade tem contato com diversas raças alienígenas. E uma investigação sobre a ligação entre a identidade pessoal e a linguagem, e uma crítica às práticas do colonialismo.

E com tudo aquilo que torna o China Miéville um dos escritores mais interessantes e originais em atividade: uma criação primorosa de um mundo ficcional bizarro ao extremo e realista em sua representação, junto com uma boa caracterização, e especulação de psicologias transhumanas e alienígenas.

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NITROLEITURAS | Embassytown – China Miéville | Del Rey, 2012, 368 páginas | Lido de 28.02.16 a 29.02.16


SINOPSE

Em um futuro distante, os humanos colonizaram um planeta nos confins da galáxia. Tal planeta é o lar dos enigmáticos Aiekei, seres sentientes famosos por ter uma linguagem única no universo, uma que apenas alguns humanos alterados, chamados de Embaixadores, conseguem falar.

Avice Benner Cho, uma colonista humana, retornou para Embassytown depois de muitos anos em uma aventura no espaço profundo. Ela não pode falar a linguagem dos Ariekei, mas ela é parte dela, tendo, no passado, se tornado uma figura de linguagem viva para esses alienígenas, uma símile viva de sua linguagem.

Quando maquinações políticas trazem um novo Embaixador para Arieka, o frágil equilíbrio entre humanos e alienígenas é quebrado violentamente.

Uma catástrofe se aproxima, e Avice se vê dividida entre ser leal a um marido que ela não mais ama, a um sistema que ela não apoia mais, e ao seu lugar em uma linguagem que ela não consegue falar, mas que fala através dela, quer ela queira ou não.


RESENHA

China Miéville continua com sua  mistura de literatura de especulação com os experimentos pósmodernistas, infundindo uma complexidade psicológica mais comuns nos romances realistas da dita “alta literatura” na complexidade moral e intelectual da ficção científica.  É o que me atrai para os seus romances, e Embassytown é um grande exemplo disso.

O romance é narrado por uma protagonista feminina, porém sem os sinais convencionais de feminilidade, o que parece indicar uma ficção pós-gênero, o que é muito bem vindo dentro de um certo conservadorismo na ficção científica tradicional.

É um livro mais difícil, os livros do China demandam muito do leitor, e cheio de neologismos para explicar conceitos complexos do universo descrito. Mas, como um romance de idéias, é muito recompensador. Embassytown tem uma das investigações sobre uma linguagem alienígena e do modo de pensar alienígena das mais bem feitas que já vi em literatura de especulação.

É uma história sobre a linguagem e o problema da comunicação entre seres sentientes. Apesar de um começo confuso, pois China joga o leitor sem nenhuma preparação em um universo complexo, depois de um tempo a trama começa a fazer sentido, principalmente pelos paralelos claros com o período colonialista da nossa história.

O cenário é fascinante; os Ariekei são interessantíssimos, sua tecnologia biorgânica é bem original, e a trama detalhada possui reviravoltas interessantes e sofisticadas, além de realistas, pois lembram os momentos trágicos de colapso de colônias na nossa história e a devastação causada pelos impérios europeus nas populações nativas de suas colônias, com toda complexidade moral e ética que esses eventos possuem.

Embassytown conta uma história complexa, e por isso, China usa muito de sumários narrativos, o que deixa a leitura mais densa e lenta, reservando as cenas apenas para momentos mais importantes da trama. E mesmo assim, muito dos eventos vitais acontecem “fora da tela”, porém, o que é narrado é tão original e interessante e a prosa é tão bem escrita, que não senti o peso desses “infodumps”.

Recomendo a leitura para quem curte ficção científica mais intelectual e sofisticada, quem curte estudos de linguagem e conhece um pouco de semiótica, e quem curte histórias que lidam com alienígenas realmente estranhos.

E termino dizendo, como sempre, que o China é “o cara’ vééééio!


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