NITROFILMES: Once Upon a Time in Anatolia – Era Uma Vez em Anatolia (Turquia, 2011) – Diretor: Nuri Bilge Ceylan

Existe um tipo de filme que gosto de chamar de “existencialista”, onde o foco da narrativa está mais na experiência de “ser”, em fazer o espectador realment entrar no “tempo real” da narrativa. Bela Tarr, Andrei Tarkovsky, Michelangelo Antonioni (na fase do L’Avventura) são alguns dos mestres desse tipo de filme, com cenas longas, poucos cortes, onde o mais importante é até aquilo que não é falado, onde a contemplação e a sensação de se ver dentro da narrativa, dentro da pele e do “tempo” dos personagens é mais importante do que a trama. Filmes que, para funcionarem, precisam sempre de uma fotografia impecável, atores afiados (porque as performaces tem que ser verdadeiras, senão não rola direito a coisa), e diálogos mais naturalistas, e cheios de tangentes, para quebrar qualquer expectativa narrativa padrão e focar no “ser” da experiência, na “existência” em si. Você entra dentro do filme, é isso que eu estou tentando dizer, hahahahaha!

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“Era Uma Vez em Anatolia” é um desses filmes, e um dos melhores filmes desse estilo que já vi, e justifica ter ganhando o Gran Prix de Cannes de 2011 (o prêmio dos críticos de cinema no Festival).

A trama se passa na área rural ao redor da cidade de Keskin, em Anatolia (que é o resto da Turquia tirando Istanbul) , onde Keskin, o promotor local, comissário da polícia, o médico legista da cidade conduzem uma busca por uma vítima de um assassinato a quem um suspeito chamado Kenan e seu irmão deficiente mental haviam confessado. A partir dessa premissa, o diretor Nuri Bilge Ceylan cria um filme complexo, onde uma infinidade de temas, símbolos, dramas se entrecruzam, tudo de maneira sutil, suave e poética. Vida e morte, existência, nihilismo e a crueldade humana, memento mori, a passagem das civilizações na Anatolia que desapareceram sem deixar vestígios, auto-sacrifício e culpa pessoal, o machismo da cultura turca e suas consequências no relacionamento entre homens e mulheres, a questão do crime e castigo, temas que são abordados em um filme aparentemente focado em paisagens, no silêncio e na conversa entre os policiais envolvidos na busca do corpo da vítima.

O filme tem uma fotografia impressionante e muitas passagens extremamente poéticas, de tirar o fôlego. É, como a maioria dos filmes que recomendo, um filme que irá agradar a turma que curte filme de arte e filmes mais contemplativos. É também um noir turco ou melhor um pós-noir, porque, apesar de usar vários dos tropos do noir (as trevas, os policiais deprimidos com os crimes que testemunham, as sombras que envolvem grande parte do filme, a frieza de policiais e criminosos), não existe absolutamente nenhum crompromisso com o fechamendo de significado, ou de trama, ou de busca da verdade.

Nota: 5 estrelas em 5!
Assistido em 04.06.15

Trailer

IMDB Link
http://www.imdb.com/title/tt1827487/combined#comment

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