A Hora Amarela de Adam Rapp – A Peça Mais Nerd que Já vi! #teatro

Foda. Foda. Foda.

Adoro teatro, só não assisto mais porque sou uma mistura de pé-rapado desgraçado com mão-de-vaca, mas quando posso, e quando encontro algo além das peças “meu pai virou a mão do meu tio da vizinha do caralho a quatro”, essas comédias horrendas que se espalham por aqui em Belzonte que nem praga, vou mesmo. Seja o que for, se for sério, pra valer, teatrão punk mesmo, Tchecov, ou Armatrux, ou o que quer que o valha, e não for os zóio-da-cara eu vou mesmo. E agora que aqui em Belzonte tem um pequeno milagre chamado Centro Cultural Banco do Brasil, que subsidia as entradas (véio, a Hora Amarela foi só 10 reais inteira e 5 a meia, massavéio demais), eu vou mesmo, tenho obrigação de ir.  É o que eu digo, sempre suspeito que existam mil e uma mutretagens em torno de troços culturais no Brasil, mas se for para lavar dinheiro, que se lave com muita cultura, muita cultura, e cultura de qualidade!

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E peça foda, véio, acho que como escritor da peça original, o dramaturgo off broaday efant terrible que tá na moda Adam Rapp é tiozão que nem eu, e regula mais ou menos com a minha geração oitentista, ele é de 68 eu sou de 72, bateu na veia o seu Through the Yellow Hour, traduzido pela Isabel Wilker (que é a cara do pai José Wilker, por sinal, com aquele olhar de rapina massavéio demais), e dirigido aqui pela Monique Gardenberg.

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E do que se trata essa peça nerd, uber nerd? Véio, é uma peça pós-apocalíptica, com todos os esquemas de horror de sobrevivência no melhor estilo Walking Dead (só faltou zumbis), tensa pra caralho, visceral e brutal. Melhor impossível!

Para ter uma idéia olha o sumário:

Escondida há três meses no porão de seu prédio, Ellen (Deborah Evelyn) faz tudo para sobreviver e rever o marido desaparecido. Ela é surpreendida com a chegada de diferentes personagens, como Maude (Isabel Wilker) e o professor Hakim (Michel Bercovitch). A situação se torna cada vez mais desoladora e Ellen tenta seguir em frente e se manter viva.

Meu cérebro ficou tecendo trocentas referências, desde Alien com a Deborah Evelyn como a Ripley (deve ter sido em um universo paralelo), passando por Resident Evil, RPGs de zumbis que mestrei adoidado com meus grupos, Walking Dead, the Day After, etc. E a maestria do Adam Rapp é usar essa capa de tropos apocalípticos (tropo não é clichê, clichê é preguiça de escritor, tropo é estrutura narrativa, idéias comuns, quando são usadas de maneira preguiçosa, ou por si mesma, ou sem nenhum objetivo mais criativo por trás, vira clichê) para narrar uma história que vai da MORTE EM VIDA e se encerra em uma VIDA EM MORTE. A situação, as exposições, o cenário, apesar de dar um climão nerd massavéio, não é o principal, e sim a situação extrema de desespero, insanidade, profunda falta de esperança e o milagre de algum tipo de esperança surgir mesmo nas situações mais horrendas possíveis.

A atuação da Deborah Evelyn é um espetáculo, ela é a peça inteira, fantástica, realmente não esperava tanto realismo. Já imaginava que ela era foda como atriz, sei que o ambiente de dramaturgia da Globo, pelo menos quando ela entrou a troncentos anos atrás, era ultra competitivo, só nego casca-grossa conseguia sobreviver. Mas me supreendi demais, me identifiquei direto com a personagem, não vi atuação nenhuma, para mim, ator bom é ator cuja atuação fica completamente invisível. Só o trabalho da Deborah já vale a peça inteira, ela parecia um personagem do Lovecraft, descendo lentamente até a insanidade total por causa da situação.


A Hora Amarela - crédito André Wanderley

Os demais atores também estão muito bom, principalmente o Michel Bercovitch!

A peça aborda temas sombrios, começa já com um choque traumático para o público, é cheia de fluidos corporais, comportamento depravado, insadidade, nudez frontal, morte, uso explícito de drogas, agressividade, palavrões, violência, estética e estilo ficção científica pós-apocalíptica, com tiradas noir casca-grossa de filme B da década de 50. Tudo que eu curto pra caralho! :D

Fica a recomendação, se puder, assista a Hora Amarela. :D

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