A Brighter Summer Day (1991) de Edward Yang – Épico Sobre as Gangues de Jovens da Taiwan dos anos 60 #250melhoresfilmes

Mais um filme assistido dos 250 melhores filmes de todos os tempos da lista da Sight and Sound Magazine, e mais filmaço maravilhoso do Edward Yang. Depois de assistir sua magnus opus, e obra final, Yi Yi (2000), também presente na lista dos 250, fiquei absolutamente fã do diretor e corri atrás de uma cópia do A Brighter Summer Day, um dos filmes dos anos 90 mais elogiados e cultuados pela crítica, cujos direitos autorais continuam em uma pendenga horrenda que proíbe o lançamento em Blu-ray e o escambau. Assim, assisti uma cópia bem ruim, e mesmo assim, o filme é impressionante e impactante, além de ter uma abordagem original e única, como todo grande diretor consegue fazer.

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TRAILER

O filme foi o que detonou o “New Taiwan Cinema” dos anos 90. É um monumento e gigantesco, assisti a versão original de 4 HORAS DE DURAÇÃO. É uma história de amadurecimento de um jovem, que se passa na Taiwan dos anos 60, É um  período turbulento do final da guerra civil da China e da fuga em massa para Taiwan, de chineses que ficaram do lado dos exércitos nacionalistas de Chiang Kai-shek. Dentro desse cenário, rivalidades entre os nativos de Taiwan e os chineses do continente, junto com a desagregação e a constante opressão da ditadura militarista em Taiwan se refletem nos adolescentes, que, sem supervisão e dentro de uma sociedade desestruturada, se organizam em gangues violentas divididas entre filhos dos taiwaneses e de chineses do continente.

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UMA DAS MINHAS CENAS FAVORITAS

O Personagem Cat cantando ‘Why’ de Frankie Avalon

O filme conta várias histórias, no estilo “estamos espiando a vida” do Edward Yang. A opressão totalitária para com o pai do protagonista, o sofrimento e a confusão do amadurecimento sexual misturada com a violência da auto-afirmação masculina, a influência norte-americana, se revesam com maestria. A narrativa toma o seu tempo, criando aos poucos os relacionamentos, à medida que vai detalhando o dia a dia do período, mas é intercalado com momentos intensos e violentos, com grande sensibilidade e ritmo. E é um roteiro bem cruel, daqueles que não poupa o público, o que eu adoro.

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Gostei também da sensação de experimentar uma época e um contexto diferente, mesmo tão distante mas que me lembrou um pouco a minha infância dentro da ditadura brasileira. A fotografia é maravilhosa (como no Yi Yi), e o uso de símbolos bem efetivo, o filme trabalha com a metáfora da luz elétrica e dos apagões frequêntes criando paralelos com a alternância entre violência e serendiade peculirares da natureza tawianesa, dentro da visão do diretor. Fantástico.

Fica  a recomendação! :D

 

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2 comentários

  1. Li esta critica há muito tempo. Só para destacar, a versão em bluray foi lançada no mês passado.

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