The Sense of Style de Stephen Pinker (O Senso do Estilo) – Usando a ciência para melhorar a escrita! #dicasparaescritores

Desde os meus tempos no curso de Letras da UFMG, nos anos 90, eu sempre fui um fã do Stephen Pinker. Na época eu estava muito envolvido com os estudos de linguística, o Pinker era considerado um superstar acadêmico, principalmente por causa de seus livros direcionados para o público em geral, explicando as novas descobertas das ciências da linguagem e da congnição.

sense_of_style_book_cover

Eu lembro de ter curtido demais o The Language Instinct (1994) e o fantástico How the Mind Works (1997), que explica muito dos mistérios da memória e da linguagem. Ou seja, o cara é um cabeção monstruoso em relação à linguageme ao cérebro, além de escrever bem pra caralho! Por isso corri atrás do The Sense of Style (Editora Viking, 2014, 368 páginas) , um guia de coesão e clareza para escritores com dicas baseada nos conhecimentos mais recentes de linguística, ciências da cognição e de como o nosso cérebro funciona quando lê. E, é claro, na experiência do cara, que escreve muito bem, sendo um exemplo das dicas que passa, além, é claro de ter vários best-sellers em sua carreira.

O livro busca ajudar ao leitor a como melhorar o seu texto, seja ele prosa ou não-ficção, artigos científicos ou posts de blogs. Além disso, Pinker levanta perguntas interessantes como:

A linguagem atual está deteriorando por causa das redes sociais? Porque se importar com uma boa escrita, nessa época de informalidade?

O livro é muito bem escrito, cheio de piadinhas e muito prático, apesar de, é claro, mais focado nos problemas da prosa em lingua inglesa. Mas, tirando as partes de gramática, que recomendo para estudantes e professores de inglês, a maioria dos capítulos do livro são extremamente úteis, e o mais legal, muitos deles confrontam noções tradicionais de estilo com evidências contrárias. Clichês de dicas narrativas como “nunca use voz passiva”, “corte todos os advérbios que encontrar”, etc. são contestados de maneira equilibrada e muitas vezes engraçadas. Como sempre, ao se lidar com linguagem, o contexto é quem manda, ou seja, “tudo vale a pena quando a cabeça não é pequena”. :)

Uma das principais recomendações do Pinker é evitar o dogma ao se tratar da boa escrita e se basear mais no uso da própria razão e da evidência para chegar ao melhor formato para o seu texto. Para Pinker (e para mim também, porra! hahhahaaha!) a boa escrita depende da imaginação, da empatia, da coerência, do conhecimento gramatical (até para quebrar a gramática, dar uma surra nela de vez em quando!) e uma capacidade de apreciar textos bem escritos e fazer engenharia reversa de textos com prosa exemplar (desmantelar um texto de um mestre da escrita para descobrir seus segredos, esse é o meu hobby favorito!). Ele até recomendoa a escritores e a editores (sim, editores também precisam saber escrever bem, uai!) para evitar seguir roboticamente dogmas do que é uma boa escrita e usar mais a inteligência, a sensibilidade ao analisar e melhorar um texto.

O Sense of Style não é um guia como os outros. Ele não coloca uma lista de prós e contras e nem contém um esforço para doutrinar o leitor. O foco está no raciocínio, em refletir, reler, analisar o texto para encontrar a forma mais clara de passar sua mensagem, ou de causar o efeito que se deseja no leitor.

Recomendo a leitura, só com o aviso de que uma boa parte do texto lida com questões mais técnicas da gramática inglesa, mas como escritor, professor de inglês e nerd de linguagem, curti essa parte também.

Nota 4 em 5

ANOTAÇÕES

Seguem abaixo algumas anotações que fiz durante a leitura do The Sense of Style, Stephen Pinker.

Estilo é o uso efetivo das palavras e da linguagem para engajar e prender o interesse da mente do leitor.

Usar detalhes concretos. Abstrações desumanizam. Imagens concretas são técnicas de mostrar, de criar uma imagem concreta na realidade virtual na mente do leitor. Por exemplo: Seria mais forte dramatizar uma cena de uma família de judeus sendo levada para um dos campos de concentração nazistas do que falar abstratamente sobre o Holocausto.

Escrever significa imaginar-se em uma conversa com um leitor imaginário.

Pinker critica a prosa macarrônica pós-moderna, com sua fragmentação de sentido. Bom escritores escondem a ansiedade pós – moderna, o questionamento de qualquer conceito, em sua prosa, para manter a claridade. O problema do extremismo em considerar que nenhuma palavra pode se referir a algo concreto na realidade, e até rejeitar a existência de uma realidade concreta para ser referida.

Pinker aconselha a não criar sumários do que vai ser dito a seguir, cria mais esforço do leitor para ler e entender o sumário para depois entender o resto. Esses guias do que vem depois devem ser discretos, sem exageros. Sumários precisam ser contextualizado e funcionar por si mesmo.

Começar com uma pergunta gera interesse, com a pergunta feita em frase afirmativa.

Estabelecer ligações com os parágrafos anteriores, guiar o pensamento do leitor.

Metáforas frescas e originais mantem a área das images córtex cerebral do leitor ativa. Esse é o efeito e a força do Show / mostrar na prosa. Você engaja o leitor visualmente.

Metaconceitos matam a prosa. Metaconceitos são conceitos que referem-se a outros conceitos. São criados por nominalismo, afirmar vira afirmação, maximizar vira maximização, envolvendo a proda en abstrações e obscurecendo tudo. É o maionesês, o esquema do Rolando Lero. São os substantivos zumbis, roubam a ação dos verbos de onde vêm.

Construções Passivas não são proibidas, elas têm sua função, dirigem o olhar de do leitor, muitas vezes o agente de uma ação não precisa ser mencionado. Exemplo: uma notícia que diz Helicópteros foram conduzidos para o local, passiva sem problema, não precisamos saber quem pilotou is helicóptero.

A boa prosa tira sua força quando emula os atos mais naturais do ser humano, ver, ouvir, falar, conversar.

A navalha de Heinlein (escritor fodásico de FC): Nunca atribua à malícia o que pode ser explicado pela estupidez.

A maldição do conhecimento : o erro do escritor de imaginar que o leitor sabe tanto quanto ele, a dificuldade de se colocar no lugar do leitor, é uma das maiores causas de escrita ruim.

O escritor deve ter consciência do que ele sabe que o leitor não sabe. Nunca esquecer do leitor, imaginar que ele não têm a mesma experiência que você tem com o assunto.

Substitua jargões por linguagem mais clara.

Muitos acidentes, prejuízos financeiros poderiam ser evitados por manuais e avisos escritos com mais clareza.

Uma explicação sem exemplos é pior do que nenhuma explicação.

Os melhores conselhos para escrever na verdade são conselhos de revisão.

Manter a sintaxe das frases variando, para surpreender o leitor e manter a prosa interessante.

Técnicas de revisão :
Passar o texto para outra pessoa ler e dar um feedback.

Esperar um tempo para se afastar do texto , e depois ler com novos olhos.

Ler em voz alta como forma de reescrita e revisão.

Paralelismo como forma de melhorar a prosa. Ressonância de estruturas narrativas.

Elimine as palavras nao essenciais, mas com bom senso.

Pinker explica sobre as árvores sintáticas, as relações entre as palavras dentro de uma frase. Os problemas das frases ocorrem por problemas nas árvores sintáticas, quem está ligado a quem dentro da frase, quem está modificando quem dentro da frase.

Dicas psicoliguísticas de escrita. Se um escritor está comparando duas coisas, ele não deveria variar as palavras, para não cair na sinônimomania, o vício de usar sinônimos. Mas as palavras devem ser variadas pelo uso de sinônimos ou pronomes, se for referida múltiplas vezes em uma sucessão, e a repetição do nome soaria monótono ou sugeriria a entrada de um novo elemento com o mesmo nome na sucessão de frases.

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