Filmes Doidimais: Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância (2014), Citizenfour (2014) #resenhas #nitroblog

Algumas impressões sobre Birdman e Citzenfour, que assistimos recentemente! :)

Citzenfour, 2014 – Dir. Laura Poitras

A história do Edward Snowden, o admnistrador de sistemas para a CIA que vazou as informações sobre o sistema massivo e planetário de espionagem e coleta de informações organizado pelo NSA junto com outras agências de inteligência do mundo. Assustador, não revela muitas coisas diferentes do que já foi divulgado, mas me senti dentro dos eventos. Quando a gente lê essas notícias nos jornais, esses acontecimentos que mudam a história, não imagina como é “na real”, que por trás desses eventos tem gente de verdade, indivíduos enfrentando todo o poder de conglomerados, corporações e organizações de complexidade inimaginável.

É um documentário poderoso e aterrorizante, filmado em um clima de filme de espionagem misturado com home videos pela Laura Poitras (que já tem no currículo My Country, My Country (2006) – sobre a guerra do Iraque e The Oath (2010) sobre Guantanamo ) e mostra um cenário sobrio sobre as mudanças que ocorreram no mundo depois dos atentados do 7 de Setembro de 2001. O filme é um alerta para prevenir que o século 21 se torne um pesadelo Orweliano, onde governos corporocratas (controlados por supergrupos financeiros e tecnológicos) exerçam poder tirânico absoluto, e onde uma verdadeira liberdade política e de expressão será inexistente. Uma das mensagens do filme que guardei foi a ligação entre a Liberdade de Expressão com a Privacidade. Um filme muito bom, recomendo! Nota 4 talvez 5 se o apocalipse financeiro/tecnológico/ecológico com a ascenção de governos asolutamente cybertotalitários acontecer!

Algumas citações do Citzenfour:

Edward Snowden: Suponha que seu adversário é capaz de um trilhão de palpites por segundo. (sobre a segurança das senhas que usamos na internet)

Edward Snowden: Estamos construindo a maior arma para a opressão na história da humanidade.

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Birdman, 2014 – Dir. Alejandro González Iñárritu

Fantástico, fantástico, fantástico! Ainda estou pegando fôlego depois de assistir esse filme do mexicano González Iñárritu. Diferente do tom melancólico e até depressivo de seus filmes anteriores, Birdman é uma comédia misturada com drama e com realismo fantástico/delírios com um roteiro muito inteligente, lapidado pra caralho, com obsessão Kubrickiana.

Eu já era fã do cara desde Amores Perros (2000), Biutiful (2010) e Babel (2006), mas Birdman é seu melhor filme até agora, um daqueles filmes arquitetados e coreografados cena a cena, com muita metanarrativa, símbolos recorrentes, ressonância, diálogos bem trabalhados, comentários e críticas tanto para o mundo do teatro, quanto do cinema e da cultura da celebridade, e metanarrativa envolvendo tanto a carreira do Michael Keaton (que ficou marcado pelo Batman, assim como o protagonista ficou marcado pelo Birdman), e até muita coisa sutil (como as cenas do Edward Norton que me lembraram de maneira oblíqua seu papel em o Clube da Luta, que tem algumas semelhanças com Birdman), Emma Stone com cenas ressoando seu papel no Spiderman) entre trocentas outras coisas, que só vou pegar quando assistir esse filme novamente, mais umas três ou quatro vezes.

Birdman-Movie-Poster-Michael-Keaton

Tem muita coisa legal nesse filme, como a decisão de fazer tracking shots longos e coreografados, a performance impressionante do Michael Keaton (véeio, se ele não ganhar o oscar esse ano, não ganha nunca!), as toneladas de referências e piadas com os blockbusters atuais de super-heróis (adorei a gozação com o Robert Downey Jr. e com o Michael Fassbender), vééééio, o filme é doidimais! Sei que vai ter gente que não vai gostar, blá,blá,blá, vai achar que é um filme desmiolado de super herói (e o legal que o filme até comenta sobre isso!), etc. e tal, mas eu achei fodásico, e de cara é o meu favorito para o oscar desse ano (eu não dou a mínima para o oscar, mas seria doidimais se Birdman ganhasse, pelo valor que deu para um roteiro trabalhado e bem escrito).

E nem falei ainda da peça que serve como um comentário sobre todo o filme, refletindo o tema e ressoando com o resto, a adaptação de “What We Talk About When We Talk About Love”, o título de uma coleção de contos do Raymond Carver, um dos maiores contistas (short story writers) da literatura americana e que morreu cedo pra caralho (50 anos!) por causa de consequências de uma vida como alcóolatra _ que no filme ressoa nos personagens de Edward Norton e do Michael Keaton, que não passam um segundo sóbrios! O filme é doidimais massavéio e merece uma Nota 4 ou até uma 5 em 5.

Sim vou arriscar, acho que pode se tornar um clássico, vamos ver com o tempo!

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SISTEMA DE PONTUAÇÃO INSTITUTO DOIDIMAIS DE ESTUDOS NÍTRICOS

Nota 0 – Péssimo! Não assista de jeito nenhum! Só se for trash, mas aí 0 é 5!

Nota 1 – Ruim! Assista só para dizer que viu e não gostou!

Nota 2 – Bom! Rola assistir, por diversão, não espere muita coisa!

Nota 3 – Muito bom! Acima da média, boa diversão, recomendado!

Nota 4 – Fodásico, você tem que ver, é muito massavéio , muito bom mesmo!  

Nota 5 – Obra Prima, fodásico e massavéio doidimais! Um clássico!

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