Daytripper, he was a day tripper. One way ticket.

Um day-tripper é um viajante que vai a um lugar turístico apenas por um dia,e retorna a sua origem no mesmo dia. Era também a gíria para os drogados por halucinógenos durante os anos sessent

E é o nome de um poema em quadrinhos. Porque o que Moon e Bá fizeram foi um poema, viu? Não se engane pela arte fodásica, pela prosa bem enxuta, pela narrativa visual de sonhos, pelas cores, por tudo.

Qual é o momento mais importante de sua vida? Quais são os momentos importantes que fizeram a sua vida? Perguntas que norteiam a criação de Daytripper, a graphic novel de Fábio Moon e Gabriel Bá. Conheço o trabalho dos dois desde o o início do fanzine Dez Pãozinhos, e sempre admirei seu estilo peculiar de lidar com o cotidiano com lirismo, focando em situações mais próximas do que viviam, emoções reais, situações mais próximas de suas próprias vidas, ao mesmo tempo que derramavam fantasia e poesia pelas rachaduras que o real sempre oferece. E Daytripper é, até o momento, o magus opus desses dois criadores, a distilação do que fizeram em uma obra que tem visão, coesão e muita sensibilidade.

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Tem muito Brasil em Daytripper, muito do estilo bem brasileiro das crônicas, aquela mistura de papo de bar, com lembranças, detalhes cotidianos e um ritmo ditado mais pelo ouvido, a forte oralidade da nossa prosa, a tradição do contador de causo se se apaixonar pelo contar da história do que pela trama em si. A trama é apenas um fio para levar os personagens de um lugar ao outro, de um estado emocional ao outro, para refletir a vida em todas suas facetas, infância, juventude, velhice e morte. Pois a morte também é uma faceta do diamante vida.

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E os detalhes, que detalhes saborosos, as praias da Bahia, a zona de São Paulo, os caminhoneiros entupidos de rebite, a calça de capoeira do amigo do Brás, o café em butecos copos-sujos, as padarias, e a roça, véio, aquele sítio me levou para minha infância visitando minha avó nas Alterosas, que era uma roça ferrada entre Betim e Belo Horizonte.

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Daytripper carrega na alma um poema, na espinha narrativa uma poesia sobre momentos, sobre a vida, e sobre o que significa estar vivo. E se a função principal de todas as histórias é tentar desvendar e expressar o que significa estar vivo, Daytripper é um sucesso.

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Por meio de narrativas fechadas em episódios, parte da estrutura derivada da publicação em edições separadas, Daytripper conta a historia de Brás, uma criança – jovem-adulto-velho (leia que você vai entender) através dos momentos mais importantes de sua vida. Ele é o atrator fractal que delinea histórias do primeiro beijo, o primeiro amor e sua primeira desilusão amorosa, o segundo amor, seu primeiro amigo verdadeiro, seu primeiro filho, seu primeiro livro, seu primeiro sucesso, enfim, uma sucessão de primeiros, segundos e terceiros que vão construindo uma vida. E, para Daytripper, não importa os fins de vida, ou melhor, a morte dá significação para uma vida, é o final da narrativa que fecha a viagem e a eternaliza. O final eterniza a vida que o precedeu, seja breve ou longa, seja cheia de fracassos ou sucessos, cheia de amor ou ódio. Que seja cheia de amor então, diz Daytripper.




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PRÓXIMAS LEITURAS DE QUADRINHOS

Embarco em uma viagem para a Coréia do Norte com a graphic novel de Guy Delisle “Pyongyang – A Journey to North Korea” e depois lerei em ordem as graphic novels do Astronauta “Magnetar”, Chico Bento “Pavor Espaciar, Piteco e Turma da Mônica, dos fabulosos Cafaggi.

E vamos ler quadrinhos porque é doidimais! :)

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