Resenha com Dicas para Escritores: The Art of Plotting (A Arte da Construção de Tramas), de Linda J. Cowgill #nitroblog

The Art of Plotting é o primeiro livro que li da autora Linda J. Cowgill, uma professora famosa do Los Angeles Film School e da Loyola Marymount University. Ela ficou famosa pelos livros Secrets of Screenplay Structure e Writing Short Films, que ainda pretendo ler, mas o The Art of Plotting tem sido muito bem comentado em blogs de roteiristas, e resolvir conferir o livro.

Art of Plotting, The - Linda J Cowgill

É um livro curto, cerca de 208 páginas, mas bem cheio de conteúdo. Não é um livro para iniciantes, como ele foca na construção da trama, e principalmente, em técnicas de caracterização, muitos dos conceitos básicos de roteiro são apenas citados rapidamente.

Linda está focada na trama nesse livro, fornecendo idéias e sugestões de como o escritor pode manter a trama de sua história interessante, e principalmente, como fazer com que a trama provoque uma experiência emocional, ou melhor como fazer com que o público se conecte emocionalmente com sua história.

O livro é muito bem escritor e bem conciso, com vários exemplos tirados de filmes. Eu recomendaria assistir os seguintes filmes antes de ler o livro, grande parte das explicações depende do leitor conhecer bem esses filmes (e até mesmo ler os seus roteiros, existem muitos sites com arquivos de roteiros na internet):

Tubarão

Beleza Americana

Seven

O Feitiço do Tempo

Jerry Mcguire

Kill Bill

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento

O Piano

A Testemunha

(Esses são os principais, mas ela também usa muitos outros como exemplo).

O livro é dividido em nove partes:

1 – Os três requerimentos da Trama

2 – Trama: Evento e Emoção

3 – O Papel do Conflito

4 – Os Princípios da Ação

5 – Ferramentas de Criação de Tramas

6 – A Sequência da História

7 – A Verdadeira Arte do Planejamento de Tramas

8 – Problemas Comuns da Construção de Tramas

9 – Ferramentas para Análises de Roteiros

ALGUMAS ANOTAÇÕES QUE FIZ DURANTE A LEITURA

Para Linda, trama e estrutura narrativa estão completamente ligados. Quando se estrutura a história de um filme, o escritor trabalha a trama para descobrir qual é a melhor forma de contar a história, planejando as cenas, criando relacionamentos entre seus elementos, e desenvolvendo ação, diálogos, cenas e sequências e construindo o clímax da narrativa.

A verdadeira estrutura de uma história é mais do que os Pontos de Trama, os Pontos de Virada, Quebras de Atos ou outros elementos tradicionais de roteiro. Estrutura é a moldura para gerenciar e dar sentido a todos os elementos de uma narrativa – a ação, o conflito, os personagens, a exposição, o tema, o subtexto, etc. A estrutura cria o contexto para a relação desses elementos.

A estrutura de um roteiro não precisa ser complexa, pelo contrário, a maioria dos melhores filmes da história do cinema possuem estruturas simples e elegantes.

A criação de uma trama envolve colocar conflito e significado em cenas de exposição, suspense, revelação de personagem e exposição de emoções, para aumentar o envolvimento do público com o trabalho. O escritor busca por ações específicas que revele para o leitor como o personagem age e reage, intelectualmente e emocionalmente, e depois cria cenas específicas para avançar a ação, revelar personagem ou fazer exposição.

Ao construir uma trama, o escritor busca construir uma linha cara que mostra como uma ação leva à próxima ação, e assim por diante, de modo a construir uma corrente de eventos que flui de maneira coerente, natural e, ao chegar no clímax de maneira inexorável. Mas, ao mesmo tempo, o escritor deve buscar pela smaneiras mais interessantes, surpreendentes e emocionantes para conectar as cenas entre si.

A arte da trama é na verdade, a arte de criar relacionamentos entre as cenas para fazer com que os Story Points (os elementos mais importantes da história, as informações, as emoções e as ações mais importantes da história, os momentos marcantes e o significado da história) se tornem mais poderosos e significativo.

De uma forma geral, escrever um roteiro é um processo multifacetado. Primeiro você precisa de um plano geral que dá forma e significado ao material. O próximo passo é a estruturação das cenas para criar um caminho de ação e reação que constrói a tensão narrativa, o significado e a emoção.

As melhores tramas são construídas em cima de recompensas emocionais para o público, recompensas que são percebidas como reais e importantes. Porém, esse é o maior desafio de um roteirista, como e onde colocar a emoção em sua história. E o melhor lugar para as emoções é nas cenas de reações dos personagens em relação ao que aconteceu nas cenas de ações.

A reação emocional dos personagens aos acontecimentos de uma história é o melhor momento para criar a trama emocional da história e aumentar a conexão emocional com o público. Quando os escritores pulam as cenas de reação emocional dos seus personagens, pelo medo de diminuir a velocidade da narrativa, suas histórias correm o risco de perder a dimensão emocional ou o realismo. Como resultado, as emoções não são incorporadas efetivamente à trama da história, e os personagens se tornam superficiais e estereotipados.

Emoções servem para motivar os personagens e expandir o entendimento do público dos eventos da narrativa, ao mostrar como os eventos afetam internamente os personagens. Isso ajuda na empatia do público com a narrativa, um elemento essencial para criar e manter o interesse ao longo da história. O modo como os personagens reagem emocionalmente da significado para a narrativa.

Linda define “drama” como “um personagem que quer algo e age contra obstáculos para conseguir o que quer”. Isso leva a conflito, mas conflito não é tão importante quando o significado do conflito. Cenas que mostram um conflito, mas não o resultado desse conflito, as reações emocionais causadas por esse conflito, falham em conectar emocionalmente com o público. Assim a arte da trama envolve estruturar a ação e reação dos personagens para atingir o efeito emocional desejado.

Personagens se desenvolvem através de conflito, mas a tensão gerada pelo conflito não deve ser dissipada, pelo contrário, deve ser realçada e contextualizada na narrativa.

O ponto básico de uma trama é causa e efeito, uma cena leva a outra, dramatizando a busca do protagonista pelo seu objetivo. A antiga regra do “Mostrar ao invés de Narrar (Show, Don’t Tell)” deveria ser mudada para “Dramatize, não Narre” (adorei essa dica, vou usar esses termos a partir de agora!).

Toda trama precisa de “rising conflict” ou um conflito crescente, um aumento progressivo da tensão e do conflito até o clímax da narrativa. Linda sugere uma tabela que divide cada cena, mostrando se o seu resultado é positivo, negativo ou neutro para o protagonista (dentro do contexto da narrativa). Ela exemplifica com os filmes Tubarão e Beleza Americana, mostrando que as cenas possuem mais resultados negativos do que positivos para os protagonistas, principalmente nos Atos I e Atos II desses filmes. Com mais resultados negativos, a trama desses filmes cria um conflito crescente, que leva a climaxes emocionantes.

Ela termina o livro descrevendo os problemas mais comuns que encontra em roteiros, expecialmente sobre Overplotting (ou excesso de Trama), onde os escritores enchem a narrativa de ação mas se esquecem das cenas de reação emocional.

CONCLUSÃO

Com seu foco nos aspectos emocionais da trama, The Art of Plotting oferece dicas e sugestões preciosas para ajudar a roteiristas e escritores a trabalhar suas narrativas e potencializar a experiência emocional de seus públicos. É um livro excelente, didático e prático, mas, como disse, mais voltado para quem já conhece alguns conceitos básicos de roteiros. Recomendadíssimo! ;)

ONDE COMPRAR

The Art of Plotting: Add Emotion, Suspense, and Depth to your Screenplay by Linda J. Cowgill The Art of Plotting: Add Emotion, Suspense, and Depth to your Screenplay

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2 comentários

  1. Muito obrigado pelo comentário Herbert! :) Eu conheço o trabalho do Steven Pressfield, ainda não li nenhum livro dele mas estou com eles na minha sempre crescente lista de leitura. Valeu mesmo pela força!

  2. Olá Tio Nitro, tem tempo que não escrevo por aqui (o Nitroblog quase não acompanhava, agora que resolvi assumir casar com a escrita, arrumei uma amante: a leitura! Então me aproximei mais deste conteúdo aqui).

    Já que você me presenteia com seus conselhos, pesquisas e (Nitro)dicas, gostaria também de deixar algo válido, ao menos uma moeda pelos seus pensamentos. Gosto muito do escritor americano Steven Pressfield, que escreve ficção e não ficção, principalmente sobre a temática da guerra, autor do famosíssimo (e já coroa) livro “The War of Art”.

    Ele escreve a intro do livro (e promove porque aposta) “The Story Grid, What good editors know”, que trata sobre a visão externa (de quem comercializa) sobre os livros. Talvez seu livro A Marca da caveira já esteja impresso no forno a esta hora, mas outros filhos vindouros hão de chegar a luz das prateleiras, vindos de sua mente.

    E sinceramente, assim como gostaria de ver com a marca da caveira, que seus livros deixassem marcas profundas no imaginário dos leitores, aqui, e também lá fora (sim sou ambicioso, o chapéu seletor me poria na Sonserina, mas como não ganho nada te elogiando, meu apreço é sincero e meu desejo honesto).

    Segue o link (promocional em cima da hora foi mal)
    http://shop.blackirishbooks.com/products/the-story-grid?mc_cid=1bcf793ca8&mc_eid=43dd6be9f5

    O blog do Pressfield:
    http://www.stevenpressfield.com/

    O blog da Editora Black Irish (Fala sério? Você não respeita automaticamente uma empresa cuja logo é uma luva de boxe?)

    http://shop.blackirishbooks.com/

    Como dizia o gaguinho po-por hoje é só pe-pessoal!

    PS: O blog ficou excelente, mó bonitão! Parabéns pelo trabalho e quem sabe no futuro não peço pra você me xingar de mariquinha no maior estilo Terry Fletcher quando te entregar um livro escrito por mim, mas só nota 8?

    Abraço e continue com o trabalho. Você inspira.

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