Resenha: Century of the Soldier – Monarchies of God # 2 de Paul Kearney (O Século do Soldado, Monarquias de Deus #2) – Fantasia Brutal Marítima!

Dentro da literatura de fantasia contemporânea, um dos maiores desafios dos autores é manter várias narrativas paralelas e centenas de personagens sem inflar muito o número de páginas. A dramatização de cenas, a necessidade de mostrar de maneira cinematográfica os acontecimentos, algo exigido pelo leitor de fantasia contemporânea, faz com que a maioria dos autores gastem muitas páginas, tanto na exposição, construção do cenário quanto na dramatização. Mas, ao terminar a saga Monarquias de Deus, de Paul Kearney, fiquei impressionado com sua habilidade de condensar a narrativa e de focar a trama nas cenas extremamente essenciais para a história, intercalando com sumários narrativos muito bem escritos. Nas mãos de um outro escritor, a saga Monarquias de Deus levaria três vezes mais páginas do que as mil e oitocentas que ele usou!

CENTURY SOLDIER COVER

A saga e seu autor estão começando a se tornar conhecidos entre o público de fantasia, e com justiça. A série, como descrevi na resenha do primeiro volume, é uma mistura de fantasia brutal ao estilo George R. R. Martin com aventura marítima (como as descritas na excelente literatura de Patrick O´Brian, que teve um dos seus livros adaptado para o filme Mestre dos Mares, com o Russel “Gladiador” Crowe). Kearney é um especialista em navegação marítima, e essa sua especialidade aparece na narrativa, principalmente nas ótimas cenas de combate marítimo.

A minha resenha do primeiro volume, Hawkwood and the Kings , com uma descrição do cenário, pode ser lida nesse link.

Nesse segundo volume, chamado Century of the Soldier, que reúne os terceiros, quarto e quinto volumes lançados originalmente (respetivamente The Iron Wars (1999), The Second Empire (2000) e Ships From the West (2002)), Kearney narra o conflito entre duas civilizações, os Merduks de Ostrabar (inspirados nos reinos árabes medievais) e o reino de Torunna (que é uma mistura de reinos ocidentais medievais com uma ética guerreira quase espartana). Além desse conflito, vindo de um continente inexplorado no ocidente, surge a ameaça do Segundo Império, um exército de transmorfos, magos, bruxas, feiticeiros e monstros, liderados por um arquimago imortal em busca da dominação completa dos reinos humanos.

Esse é o Paul Kearney, cara de badass hahahaha! :)
Esse é o Paul Kearney, cara de badass hahahaha! :)

A estrutura desse volume é diferente do anterior, que conta uma narrativa única. Dentro do Century of the Soldier, os volumes Iron Wars e The Second Empire contam uma história completa, dos conflitos entre os Merduks e os Ramusianos pelo domínio da Normannia oriental, enquanto uma guerra civil se inicia dentro da Igreja Ramusiana por conta das revelações de um monge quanto a origem da religião dos reinos da Normannia, e o Rei Abeley luta para manter o controle de seu trono.

Já o volume Ships From The West é uma sequência direta de toda a série, e se passa dezessete anos após o final do volume Second Empire. Nesse volume, a narrativa da asceção do Second Empire chega a um clímax bem forte, , apesar de um pouco corrido demais, até para o estilo do Kearney, mas que fecha todas as narrativas paralelas e dando destinos muitas vezes extremamente cruéis para os protagonistas.

É uma saga de fantasia de leitura rápida e emocionante. Kearney se tornou um dos meus autores favoritos na fantasia brutal, e pretendo ler tanto sua série Sea of Beggars (Mar dos Pedintes) incompleta por causa da burrice dos seus antigos editores) com The Mark of Ran (2004) e This Forsaken Earth (2006) e a elogiada série The Macth (dizem que é sangrenta até dizer chega, OWWW YESSSS!) que é composta pelos livros The Ten Thousand (2008), Corvus (2010)e Kings of Morning (2012. Fica a recomendação! :)

monarchies_map_normannia

 

TÉCNICAS NARRATIVAS OBSERVADAS NO CENTURY OF THE SOLDIER:

Seguem algumas anotações que fiz durante a leitura:

Revertendo tropos: Uma das narrativas é da relação de amor entre o protagonista masculino, seguindo o tropo do herói guerreiro, e uma mulher bem mais velha (ele com trinta e ela com mais de sessenta anos), achei bem legal essa inversão do tropo tradicional nesse tipo de literatura (homem mais velho com mulher bem mais nova).

Compressão narrativa, cortando direto para o essencial e usando sumários narrativos de maneira habilidosa, entrecortada com micro cenas dramatizadas (mostradas ao invés de narradas). E a importância dos sumários narrativos em fantasia épica para mostrar um panorama geral, mas sempre correndo o risco de diminuir o interesse do leitor. Ler o Monarquias me lembrou que tenho que ler Guerra e Paz

Uso de cenas muito fortes de estupro de mulheres. Fortes mesmo, e que, apesar de ilustrarem a brutalidade e as realidades da guerra em um cenário pseudo-medieval-renascentistas, não foram tão essenciais para a narrativa.

Uso dos dilemas morais comuns em uma guerra, por exemplo, sacrificar uma vila para vencer uma batalha.

Uso de injustiça como mecanismo de trama, narrativas de traição sempre ajuda a revitalizar uma trama, o leitor fica do lado do injustiçado e continua lendo tentando ver se haverá punição para o traidor.

Usar os personagens uns contra os outros, sem limites. Como sempre conflito é a chave de narrativas interessantes.

ONDE COMPRAR

Century of the Soldier: The Collected Monarchies of God (Volume Two) by Paul Kearney Century of the Soldier: The Collected Monarchies of God (Volume Two)

PRÓXIMAS LEITURAS

Estou terminando de ler o The Art of Plotting, da Linda J. Cowgill, um livro muito comentado sobre estrutura de trama, estou gostando e devo postar uma resenhazinha por aqui. Devo terminar hoje mesmo, e começar o festiva de verdão doidimais Rubem Fonseca, o Rubão “sangue nos zóio, faca na guela”, meu mais recente vício na literatura. Lerei em sequência, os seguintes livros de contos do Rubão: Amálgama (2013), Feliz Ano Novo (1975), O Buraco na Parede (1995), O Cobrador (1979) e Pequenas Criaturas (2002, todos muito curtinhos mais fodásicos (esse povo semi-retardado nas editoras do Rubão tinha que lançar logo um “Obras Completas” do véio, ô caray sô!). Depois é cair de cabeça na trilogia Bas-Lag do China Mélville Perdido Street Station (2000), The Scar (2002)e o Iron Council (2004), intercalando com minha leitura obrigatória da saga completa do Tempo e o Vento do Érico “Monstro dos Pampas” Veríssimo: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962).

E vamos ler porque ler é doidimais! :D

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