Writing Fantasy Heroes – Dicas Doidimais  de Escritores Fodásicos da Fantasia Contemporânea #dicasparaescritores #nitroblog 

Eu adoro ler dicas e as experiências de escritores veteranos e não podia deixar de ler o Writing Fantasy Heroes: Powerful Advice from the Pros assim que descobri esse livro em um blog americano de dicas para escritores.

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O Writing Fantasy Heroes é uma coletânea de artigos escritos por feras da literatura de fantasia, e introduzido por não menos que Steven “Malazan” Erikson, um dos meus maiores ídolos da literatura (incluindo todo tipo de literatura!). Além do Steven, o livro contém dicas de feras como Glen “Companhia Negra” Cook, Paul “Monarquias de Deus” Kearney, Orson “O Jogo do Exterminador” Scott Card, Brandon “Mistborn” Sanderson, Ian C. “Malazan, é o parceiro do Stephen” Esslemont, entre outros.

Além de descobrir novos autores para colocar na minha lista de leitura, o livro é cheio de dicas e exemplos valiosos para escritores de fantasia de qualquer nível de habilidade. Recomendo!

Anotei algumas dicas do livro (tem muito mais), que seguem abaixo; mas devo ler esse livro novamente, é muita coisa! :)

LISTA DOS AUTORES DO Writing Fantasy Heroes: Powerful Advice from the Pros (com links para suas obras na Amazon, para quem quer conhecer)

Glen Cook (Author), Paul Kearney (Author), Jennifer Brozek(Author), Orson Scott Card (Author), Ari Marmell  (Author), Brandon Sanderson (Author), Ian C. Esslemont (Author), Jason M. Waltz (Editor), Steven Erikson (Foreword),

ALGUMAS DICAS DO LIVRO Writing Fantasy Heroes: Powerful Advice from the Pros

1) PrólogoSteven Erikson

Regra Principal: Termine o que você começou, sempre. Seja uma parágrafo, uma cena, uma história curta ou um livro, termine sempre o que você começou. SEMPRE!

O mais importante é a experiência, é escrever e reescrever sempre.

Aprender com os fracassos.

Leia dicas para escritores de autores renomados prestando atenção nas entrelinhas, no que eles não falam, que é o enorme esforço gasto pelo escritor para desenvolver a sua arte. Escrever bem é fruto de muita escrita e muita leitura.

Um escritor só pode passar as ferramentas para criar a narrativa, você é que deve descobrir sobre o que vai escrever, e ver quais ferramentas mais apropriadas para o seu estilo de escrita.

2) O Herói em Seu SangueJanet Morris and Chris Morris

Descubra o herói em você mesmo, baseie-se nas suas experiências de luta, de derrota e vitória, nas suas sensações.

Leia narrativas heróicas do passado, mitologia, personagens históricos considerados heróis, e se coloque em seus pontos de vista.

Cada herói deve ter uma jornada única, diferente. Vasculhe no passado do seu herói, humanize-o de todas as formas possíveis.

Descubra como o seu herói define a si mesmo. Questione o personagem, descubra seus valores, veja se ele tem características redentoras, veja como ele reage em situações extremas, como ele se recupera de um fracasso terrível, etc.

3) A Vontade Heróica Cecelia Holland

A essência de um herói é sua força de vontade. Um herói se distingue pelo seu desejo ilimitado de superar qualquer coisa que seja um obstáculo em seu caminho. Ele busca dominar a realidade, e impor sua vontade sobre o mundo.

4) Exposição em Histórias de Espada e Magia Ian C. Esslemont

Exposição (passar informações da trama, cenário, ou do histórico dos personagens para o leitor) deve ser feita dentro do contexto da história, para evitar os infodumps, que chateiam o leitor e soam “forçados”.

Show versus Tell (Mostrar versus Contar). Sempre que possível dramatize (mostre) os eventos, ao invés de contar genéricamente o que aconteceu. Coloque o seu leitor dentro da história, experienciando a narrativa de “dentro” do seu personagem Ponto de Vista.

Fantasia se baseia em experiência sensoriais. Use mais substantivos, símiles, metáforas e descrições concretas e específicas para aumentar a imersão e a experiência sensorial do leitor.

Cuidado ao passar muita informação, ou excesso de informação para o leitor. É uma tentação grande em quem escreve fantasia, mas tente passar apenas a informação essencialmente ncesserária para a história. E dramatize essa exposição, coloque-a dentro da história, relevante para o que está acontecendo.

Uma narrativa é como um sonho, quando se faz exposição direta e sem contexto (os infodumps, blocos de informação do cenário) , o sonho é quebrado.

Narrativas heróicas precisam de drama e ação. Blocos de informação não tem drama e ação e quebram o fluir da narrativa. O truque é misturar e colocar essas informações do cenário no meio do drama e da ação.

5) Escrevendo Cenas de Ação Cinematográficas Brandon Sanderson

Envolva a cena dentro do ponto de vista narrativo, evite a descrição mecânica de “golpe a golpe”. Seja criativo, misture as emoções e motivações do personagem com o combate.

Cenas de combate tem que ser significativas, valer a pena estarem na história. Ter consequências para o protagonista. Devem caracterizar e mover a trama ao mesmo tempo.

Combate pode revelar novas facetas da personalidade do protagonista.

Revise até ficar bem claro a movimentação, como o combate se dá.

Use símiles para descrever o combate com coisas concretas.

Use dos golpes para ao mesmo tempo descrever o local do combate, de maneira dinâmica.

Descreva cenas de combate dentro da visão e do POV de um dos personagens envolvidos. Faça o leitor entrar no combate evocando todos os sentidos (tato, cheiro, visão, textura, dor, etc.).

6) A Narrativa pelo ponto de vista de coadjuvantes Cat Rambo

Narrar uma história pelo POV de um personagem coadjuvante pode revelar novas facetas e detalhes do protagonista.

7) Heróis Experientes Alex Bledsoe

Um texto sobre as diferenças entre heróis jovens, em início de carreira e heróis experientes.

Algumas Características de um herói experiente: Cinismo, não necessita se provar para os outros, usa mais da inteligência do que da força bruta, mais estratégia, tem marcas de seu passado, cicatrizes emocionais ou psíquicas, uma descrença em relação aos ideais e sonhos da juventude, problemas com ferimentos antigos.

A jornada de um herói adulto é diferente de um herói jovem. Pode ser uma jornada de auto-redenção, ou uma jornada de entrega total à corrupção. Pode ser uma jornada de superação de preconceitos arraigados em sua vida ou uma jornada de busca de uma aposentadoria pacífica.

8) A Dinâmica das Duplas de Heróis Howard Andrew Jones

Duplas de heróis bem sucedidas na literatura de fantasia são, na verdade, um herói completo dividido em duas partes (ou três partes como no caso do Spok, Kirk, McCoy no Star Trek).

As duplas devem se complementar, devem ser diferentes o suficiente para gerar conflito. Conflito de personalidades em duplas de narrativas de fantasia deixa a narrativa mais viva, mais vibrante e mais divertida, além de delinear bem as duas personalidades.

Ao criar duplas, tente criar personagens que, apesar de diferentes, se complementam. E evolua-os ao longo da narrativa, mudando a dinâmica ao sabor dos acontecimentos.

9) Monstros merecem atençãoC. L. Werner

Monstros merecem a mesma atenção que os heróis que os matam. Pensar no monstro por dentro, como ele vive, suas motivações, sua personalidade e mente, seus desejos.

Agir como um biólogo do monstro, pensar o que ele come, o que ele deseja, o que ele sente, ver o herói pelo seu ponto de vista.

Se for seguir a linha do monstro misterioso, esconder o monstro e ir revelando-o aos poucos (como no primeiro filme do Alien).

Cenas de combates de monstros tem que ser pensadas dentro da narrativa, tem que estar contextualizada, servir para alguma coisa, seja caracterização do herói, seja para avançar a trama, ou até mesmo para reforçar algum tema (com o monstro agindo como algum tipo de metáfora).

10) Personagens Coadjuvantes são Gente Também! Jennifer Brozek

O seu herói irá, muitas vezes, interagir com vários personagens que aparecerão apenas uma ou algumas vezes na narrativa. Esses personagens coadjuvantes merecem atenção.

Faça perguntas básicas antes de criá-los:

O que eles fazem? Qual é a sua profissão?

São casados ou solteiros? Jovens ou velhos?

Como enxergam o herói? Quais são suas motivações?

Qual é a sua reação com o herói? São amigos, inimigos ou neutros?

Quais são seus interesses? O que querem? O que temem?

Tem animais de estimação? Tem filhos, parentes, irmãos?

Qual é o papel deles na narrativa? O que eles representam?

O que eles revelam do cenário? Do contexto histórico? O que eles revelam do protagonista?

11) Os Tropos da Fantasia Ari Marmell

Tropos são estruturas narrativas, motivos, mitos, temas, personagens típicos, classes de personagens, tipos de desenvolvimento de história, tipos de história; ou seja tudo aquilo que pode ser identificado e classificado em uma narrativa. Por exemplo, histórias de detetive são repletas de tropos (o detetive amargo e durão, a feme fatale, etc.).

Diferença entre Tropos e Clichês: O clichê é um tropo sem conteúdo. Tropo são estruturas básicas, por onde o escritor começa a criar sua história. Todas as narrativas possuem tropos, até mesmo as mais experimentais (o tropo existencialista por exemplo, de um personagem em busca de sua identidade ou fragmentando a própria identidade, pode ser encontrado em autores como Camus, Lispector, Joyce, etc.). É o esforço do escritor, sua criatividade em trabalhar com os tropos, em quebrar as expectativas dos leitores é que faz com que a sua narrativa fuja do clichê.

Existem trocentas milhões de histórias de órfãos que se torma heróis, é um tropo, mas o que quebra o clichê é usar esse tropo como ponto de partida e criar personagens únicos, peculiares e vivos, que horam quebram a tradição, hora seguem a tradição do tropo. Harry Potter é uma versão desse tropo, Luke Skywalker outra versão, e são dois personagens bem diferentes entre si, tem vida própria.

Assim, ao escrever fantasia, não se preocupe de estar usando um tropo conhecido. Não existe nada que não seja um tropo (ou que não vai se tornar um tropo depois de publicado), assim, liberte sua criatividade e quebre (ou não quebre) as expectativas dos leitores em relação aos tropos que você usar (seja tropo do bárbaro, do anão guerreiro, do lorde das trevas, etc.), se concentrando em criar personagens vívos, com detalhes específicos, variados, aumentando a complexidade, recombinando tropos diferentes em novas configurações.

Clichê é preguiça de escritor, não tem nada haver com o conteúdo. Um escritor talentoso pode escrever qualquer tipo de história, seja ela considerada clichê ou não, e irá colocar sua marca pessoal nela, dando vida a seus personagens.

Clichê, repetindo, é preguiça de escritor. É falta de levar a sério seus personagens, mergulhar em suas almas e ver suas vidas de dentro, e não de fora.

12) Então você quer começar uma guerra?Paul Kearney

Pesquisar na história para dar mais realismo às suas batalhas, mesmo se envolvam seres fantásticos.

Exércitos em marcha tem diversas necessidades. Você precisa de comida para os soldados, tem que evitar doenças que surgem com tanta gente junta, saber como manobrar a marcha, entender que quanto maior um exército  mais lento ele se movimenta, estudar estratégia de combate, criar uma hierarquia nas tropas, entender o papel de cada parte de um exército (rastreadores, lanceiros, infantaria, cavalaria, etc.).

E quando narrar, colocar o leitor dentro da batalha, sentindo os cheiros, sofrendo as dores, percebendo o desespero e a confusão do combate por dentro, para aumentar a experiência visceral  e horrífica de uma guerra.
13) O Inesperado nas Narrativas – Glen Cook

Muitas vezes, ao escrever, acontecimentos aleatórios ou inesperados surgem na narrativa e mudam completamente o planejamento do escritor. A dica de Glen Cook é de abraçar o inesperado, aceitar completamente o randômico, mesmo que seja a morte do seu personagem favorito em sua narrativa.

Esses momentos inesperados, aleatórios, aumentam o realismo narrativo (a plausabilidade narrativa) e deixam a história mais interessante e imprevisível.

14) O Herói Relutante – Orson Scott Card

Mais do que o herói que aceita a missão que lhe é entregue, um dos tipos mais populares é o herói relutante, que é forçado pelas circunstâncias no papel de herói. Esse é um tropo muito comum e popular, mas para funcionar, é preciso que o personagem seja completo, tenha passado, motivações, interesses pessoais, e conflitos em relação ao que é forçado a fazer.

Um exemplo do herói relutante que deu certo é o Han Solo do Star Wars, que, na última hora, decide ajudar os rebeldes  a destruir a Estrela  da Morte.

A dificuldade é fazer com que a relutância do herói de assumir o seu papel seja convincente, para evitar a síndrome do “mimimi eu não quero isso mimimi”, a razão para a relutância tem que ser muito forte, e misturada com a história do personagem. Caso contrário, fica forçado e bem paia.

Essas foram algumas das anotações que fiz desse livro, mas tem muito mais, e o mais legal, cada dica é exemplificada com trechos das obras dos autores. Recomendo o Writing Fantasy Heroes: Powerful Advice from the Pros e reforço o pedido às editoras nacionais para investirem mais em livros com dicas para escritores, são muito úteis e dão um certo alívio na luta solitária para dominar a arte de criar histórias doidimais!

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Onde Comprar:

Writing Fantasy Heroes: Powerful Advice from the Pros (Rogue Blades Presents) by Alex Bledsoe Writing Fantasy Heroes: Powerful Advice from the Pros (Rogue Blades Presents)

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Próximas Leituras

Começo agora o Barba Ensopada de Sangue, do Daniel Galera, um romance muito elogiado e que está na minha lista de leitura já faz um tempo,  e depois retorno à saga Monarquias de Deus (Monarchies of God), do fodásico Paul Kearney (e que recomendo para os fãs de Guerra dos Tronos!).

É isso aí pessoal, e vamos ler porque ler é doidimais!

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Barba ensopada de sangue por Daniel Galera Barba ensopada de sangue

Century of the Soldier: The Collected Monarchies of God (Volume Two) by Paul Kearney Century of the Soldier: The Collected Monarchies of God (Volume Two)

2 comentários em “Writing Fantasy Heroes – Dicas Doidimais  de Escritores Fodásicos da Fantasia Contemporânea #dicasparaescritores #nitroblog 

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