Bernard Crownwell continua em excelente forma com o oitavo volume de suas Crônicas Saxônicas.

empty throne

No começo do livro assustei com a narrativa em primeira pessoa feita pelo filho do Uhtred, é a primeira vez na saga que outra pessoa narra os acontecimentos. Deu aquela sensação de “mudança de vocalista de banda que a gente ama”, mas felizmente, no capítulo seguinte, voltamos ao bom e velho (e cruel, e doidimais) Uthred de sempre. Imagino que o Cornwell possa estar testando as águas para ver se consegue mudar de narrador, (o véio Uhtred vai ter que morrer algum dia, não vai?), mas é uma manobra arriscada (apesar de que vou ler de qualquer jeito, com Uhtred ou sem Uhtred, essa saga é viciante, fico até na fissura de, em um futuro distante, escrever algo semelhante sobre o Brasil pré-Cabral, uma saga das tribos de índios que viviam por aqui nesse mesmo período histórico).

Um dos focos do livro é a educação de Æthelstan, o filho bastardo-que-não-é-tão-bastardo-assim do Rei Edward, e que deve ter um papel mais importante nos livros futuros. Como já é tradição, a narrativa tem reviravoltas, batalhas, sangue, correria e um Uhtred mais maduro, reclamando da dor e velho, não mais em sua melhor forma. Essa nova descrição do Uhtred, deu uma nova variação em sua caracterização, aprofundando mais ainda o personagem e dando uma sensação de “Cavaleiro das Trevas” (os quadrinhos do Batman dos anos 80, não os filmes) na história, de um homem de ação enfrentando as limitações da idade e o medo que vem de uma maior consciência de sua própria mortalidade.

Infelizmente e o livro é muito curto, mas as cenas de batalha e as estratégias inteligentes do Uhtred estão lá, principalmente porque agora, o guerreiro saxão depende cada vez mais de sua esperteza para sair das enrascadas em que se envolve. E temos um novo personagem, Sigtryggr, um viking doidimais massavéio, corajoso pra caray e que me lembrou o Ragnar da série Vikings. Espero vê-lo novamente nos livros futuros.

Mais um livro muito bom e divertido do mestre Cornwell! Recomendo! O livro deve sair no Brasil em breve, pelo que me disseram no facebook. :)

E agora, seguindo a minha lista de leitura, vou mergulhar em um clássico da literatura brasileira, o Grande Sertão Veredas, a obra prima do mestre João Guimarães Rosa. Por vários motivos, sempre comecei a ler esse romance obrigatório para qualquer escritor mineiro que se preze, mas nunca cheguei até o final, distraído por outras leituras, etc. Mas dessa vez vai, de uma só vez, numa viagem pelos sertões da minha Minas Gerais! :D

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