Um livro perfeito. Duna é um livro perfeito. O que mais me chamou atenção nessa releitura foi a elegância e a perícia do Frank Hebbert como escritor. Personagens com nuances psicólógicas e que parecem “reais”, um mundo de um Império Galático, cheio de conspirações bizantinas, planos dentro de planos, corrupção, manipulação em contraste com a selvageria primal e pura dos Fremen.


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O livro segue uma alegoria clara em relação aos conflitos eternos do oriente médio, com o “tempero” sendo o “petróleo”, as tribos dos freeman como as tribos árabes.

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Uma das inspirações de Frank Herbert foi a história do Lawrence da Arábia (que tem um filme fantástico).

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Outra influência na narrativa é a cultura das drogas dos anos 60, principalmente a cultura psicodélica. Muitos dos elementos mais importantes da trama dependem de visões e viagens psicodélicas dos protagonistas. A discussão de expansão de consciência, que era presente nos anos 60, se reflete no livro, assim como conceitos como a maleabilidade do tempo e espaço, o princício da incertesa de Heinsenberg e teorias sociológicas da evolução das religiões.

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É um livro obrigatório para quem gosta de fantasia e ficção científica, uma obra revolucionária na literatura de especulação, só comparado com o Senhor dos Anéis. Se hoje temos franquias gigantescas como Star Wars, isso se deve ao Duna, essa obra elevou a ficção científica para o grande público. Só para ter uma idéia, mais de doze milhões de exemplares foram vendidos no mundo inteiro desde a sua publicação.

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Resolvi reler Duna para analisar as técnicas narrativas que Herbert usou nessa obra prima. Havia lido umas duas vezes a muito tempo atrás, primeiro em uma tradução brasileira antiga e depois no original em inglês, na época da minha tese de mestrado. Mas dessa vez, a minha primeira releitura de Duna desde que comecei a dedicar profissionalmente a escrita, a surpresa foi mais impressionante do que se eu tivesse engolido um quilo do tempero de Arrakis!

Herbert é um mestre da narrativa onisciente (um dos pontos de vista mais difíceis), e tem a manha da exposição de cenário através de diálogos! Uma aula de como escrever e interligar um mundo complexo dentro da narrativa.

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Para quem não conhece (e recomendo LER O LIVRO, antes de ver tanto o filme de 1984 quanto as miniseries dos anos 2000, não tem comparação, o livro é uma experiência infinitamente superior), Duna conta a história do planeta deserto Arrakis, o foco de uma intrincada luta de poder dentro de um império galático entupido de conspirações por todos os lados. Arrakis é a única fonte do “Tempero”. O “tempero” (a cocaína-petróleo do mundo de Duna) é necessário para as viagens intergaláticas, dá poderes psíquicos e extende o tempo de vida de quem o consome. Assim, “quem controla o “tempero”, controla o universo”, como disse o grande doidimais Barão Harkonnen. A pancadaria começa quando o Imperador da Galáxia decide transferir o controle de Arrakis da Casa Harkonnen (os mega-vilões da história) para a Casa Atreides.

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Os Harkonnens usam essa mudança para dar início a um plano maquiavélico envolvendo o Imperador para derrubar os Atreires e voltar a controlar Arrakis. Os Atreires são derrubados mas Paul Atreides, o filho do Duque, sobrevive junto com os Freemen, uma tribo de nômades. O ponto principal da trama é que Paul Atreides é o produto final de um experimento genético feito pela medonha Irmandade das Bene-Gesserit a fim de criar um super-homem, um messias capaz de levar a humanidade para um novo estágio de evolução. Esse é o palco para um dos maiores triunfos da ficção científica, a criação de uma narrativa épica, complexa, e um dos mais ambiciosos mundos ficcionais já criados.

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Sim, é muito superlativo, mas Duna é tudo isso mesmo!

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O que é impressionante, é que um livro dos anos 60, ao reler, parece ser tão contemporâneo. Hoje em dia, em meio ao aquecimento global, crises ecológicas e a falta de água que já assola várias partes do mundo, o radicalismo, o retorno furioso do fundamentalismo em várias partes do mundo com seus “messias” e representantes de messias, e a contínua guerra pelo óleo (o nosso “tempero”) no Oriente Médio, é possível que Duna seja até mesmo mais relevante hoje do que quando foi publicado pela primeira vez.

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Recomendadíssimo! :)

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PS: Vou ter que dar uma pausa nas resenhas dos livros que estou lendo. A reescrita final do Marca da Caveira está tomando todo e qualquer tempo que tenho disponível para escrever, e prefiro dedicar o pouco de tempo livre para continuar os vídeos de dicas para escritores iniciantes (que estão bem atrasados!). Quem quiser acompanhar as minhas leituras atuais, pode checar na minha página no Facebook, ou minhas páginas no Goodreads e Skoobs.

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