Onde os Fracos Não tem Vez de Cormac McCarthy – De cara com um Profeta da Destruição! #nitroblog

No Country for Old Men / Onde os Velhos Não tem Vez  é um “tour de force”, uma viagem brutal por uma espécie de comédia de erros escritos em sangue. O livro derrama tensão em cada página, e impressionou a fidelidade que a versão cinematográfica teve em replicar as cenas do livro. É claro que o estilo cinematográfico de Cormac ajudou, a narrativa quase nunca entra dentro da mente dos personagens, tudo é narrado pelo lado de fora, pelo que uma câmera filmaria se estivesse na cena com os personagens. A vida interior é mostrada por indução e pelos diálogos. E que diálogos!

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O livro se passa durante os anos 80, no sudoeste do texas, quando um veterano da guerra do vietnam encontra um monte de traficantes mortos, junto com heroína e 2.4 milhões de dólares em dinheiro. A partir desse evento, a narrativa acelera em uma caçada humana descrita dentro da prosa impecável do Cormac McCarthy.

O personagem que unifica a narrativa é um sherife, no melhor estilo “velho de guerra”, que está cançado da sua vida de luta contra o crime e preocupado com a monstruosidade dos criminosos da nova geração. Esse aumento progressivo da monstruosidade, da crueldade sem sentido ressoa por toda a história.

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A narrativa parte inicialmente do ponto de vista do xerife Ed Tom Bell tem de lidar com a amoralidade crescente que afeta sua pequena cidade de fronteira, como resultado do tráfico de drogas. Bell, que já está cançado de sua profissão, chega ao limite ao enfrentar uma onda de violência que envolve pelo menos dez assassinatos.

Llewelyn Moss é o grande azarado da história é o próprio cara que encontra os milhões de dólares do narco tráfico. Azarado porque, para persegui-lo, Cormac criou um dos maiores monstros que já vi na literatura de crime, Anton Chigurh.

Chigurth, o “profeta da destruição”, é um sociopata psicótico, a encarnação do mundo violento do comércio de drogas,, uma nova forma de assassino, determinado em remodelar toda uma nação. Chigurth é uma força primal no livro, quase como um deus no submundo. Quando ele aparece na narrativa eu prendia a respiração, sabendo que algo sombrio da condição humana seria revelado. Junto com o Frank Ballard do Child of God, e o Judge do Blood Meridian, Chigurth é mais um dos monstros realistas do Cormac, mais um personagem que congela as veias dos olhos durante a leitura.

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Em termos de estilo, o que dizer? Prosa perfeita, essencial, nem uma palavra sequer desperdiçada, diálogos medonhos de tão bem escritos. E mais uma vez Cormac prova que é um dos mais poderosos “descritor de paisagens” que eu já li na vida. Dotado de uma “visão emocional” poderosa, é medonho ver o que ele consegue fazer apenas com frases declarativas, e descrições extremamente cirúrgicas e breves. Um livro para ser estudado por quem curte escrever.

O livro não fecha as narrativas nem se preocupa com justiça poética. Esse é o mundo brutal de Comarc, tirando o “A Estrada”/The Road, nenhum dos seus livros se preocupam com qualquer forma de “final feliz”. Os finais de seus livros, dos quais o No Country for Old Men é um exemplo clássico, não resolve muita coisa, os elementos da narrativa não se encaixam perfeitamente e ele deixa muita coisa para a livre interpretação do leitor.

Recomendadíssimo (mas li o livro no original, em inglês, fica a torcida para que a tradução para o português tenha sido bem feita)!

E depois dessa pausa com o Cormac, de volta a leitura das Crônicas Saxônicas, com O Cavaleiro da Morte / The Pale Horseman (O Cavaleiro Pálido). Da sangueira do Texas para a sangueira saxônica! :)

ONDE COMPRAR

Onde os Velhos Não Tem Vez – Ed. Objetiva

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1464533/onde-os-velhos-nao-tem-vez

AMAZON – No Country For Old Men

No Country for Old Men by Cormac McCarthy No Country for Old Men

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