Conan: Road of Kings (2012) – O lado humano e aventureiro do Conan de Roy Thomas! #nitroblog

Se Conan é hoje um personagem universal, reconhecido facilmente na cultura popular, isso se deve principalmente ao trabalho de Roy Thomas na Marvel dos anos 70. Roy Thomas foi muito bem sucedido depois de fazer uma proposta radical para a Marvel daqueles tempos, pegar Conan, um personagem famoso da era pulp mas que já estava caindo no esquecimento e recriar suas histórias para o meio dos quadrinhos.

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Nessa adaptação para os quadrinhos dos contos originais violentos e sombrios de Robert E. Howard, Roy Thomas ressaltou os aspectos aventurescos e o lado humano do cimério.

Roy Thomas
Roy Thomas

Um adendo: já passou da hora de trazer o Roy Thomas em alguma convenção de quadrinhos no Brasil. Infelizmente ninguém dá muita bola para roteiristas aqui no nosso país, se nem mesmo o Grant Morrison veio para cá, quem diria o Roy Thomas, Chris Claremont, Brian Wood, etc… O povo só quer saber de desenhista mesmo!

Mesmo divergindo do estilo mais sombrio e sujo do original, Roy Thomas deveria ser celebrado por qualquer fã do cimério. Foi ele que levou Conan ao mesmo nível de popularidade de personagens como Sherlock Holmes, Batman, Super-Homem e Homem Aranha. E o mais interessante é que todas as características do Conan de Roy Thomas, a malandragem, o senso de humor, a aventura desenfreada, o lado mais ladino e romântico do bárbaro (sem esquecer do seu lado selvagem e violento), estão presentes, em menor grau, na versão original do personagem. O Conan de Roy Thomas é acessível, mais facilmente identificável, mesmo que os fãs mais puristas da obra de Robert E. Howard muitas vezes torçam o nariz para suas aventuras.

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Todos os grandes personagens icônicos da cultura popular merecem interpretações diferentes. A tradição de criar novas versões e interpretações de personagens lendários é tão velha como a própria literatura; a saga do Rei Arthur, as lendas de Fausto e Mefisto são alguns dos exemplos dessas reinterpretações. Atualmente, o mesmo ocorre com personagens contemporâneos; Sherlock Holmes possui muitas variações e releituras, Drácula já foi representado de milhares de formas, e Conan, como um personagem-ícone, também recebe esse tipo de tratamento de diversos autores.

Eu pessoalmente sou um grande fã da obra de Roy Thomas, mesmo sabendo que muitas de suas histórias são narrativas mais superficiais de espada e magia (apesar de parecerem simples a primeira vista, só na hora que você tenta escrever algo parecido é que você vê que a coisa não é tão simples assim, véio!).

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Mesmo assim, Roy Thomas escreveu muitas, mas muitas histórias e adaptações sensacionais de Conan. Que eu me lembro de cabeça, a saga da Rainha da Costa Negra, adaptações como a Torre do Elefante, o Colosso Negro, e muitas das sagas ilustradas por John Buscema (e principalmente as que tem a arte final de outro monstro, Alfredo Alcala, procure na internet que você vai babar com a arte) já seriam o suficiente para demonstrar a maestria do roteiro de Thomas.

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Toda essa introdução é parar mostra a minha reação positiva quando soube que a Dark Horse, arriscando tudo novamente, trouxe Roy Thomas de volta das catacumbas de Stygia para escrever a série Conan: Road of Kings. Foi uma jogada arriscada, depois de vários anos investindo em uma versão mais suja, sombria e realista do cimério. Mas, depois de um estranhamento inicial, curti reencontrar a prosa de Roy Thomas e reconhecer os elementos que fizeram do seu Conan a versão mais popular e querida do bárbaro mais famoso do planeta.

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Em “Road of Kings”, Roy Thomas narra a jornada de Conan de sua vida de piratas no Mar de Vilayert (o final da última história, “Iron Shadows of the Moon”) até o Porto de Argos, livre e sem nenhuma ligação, para começar a próxima saga, “A Rainha da Costa Negra”.

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Sua primeira viagem, narrada no Road of Kings volume um até o volume seis, Conan leva Olívia, a princesa que ele salvou em Shadows of the Moon, de volta para o reino de Ophir.

É uma história divertida, e que continua a história original da Olívia. Para os fãs dos contos originais, é legal ver como Conan se livra das mulheres lindas que carrega no ombro no final de muitas de suas histórias!

A saga é bem episódica, em um estilo tradicional e divertido de espada e magia,e que lembra muito as aventuras de Conan da década de setenta.

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No melhor estilo de Roy Thomas, os episódios trazem de volta antigos personagens de dos contos originais de Howard, como o Prince Murilo, do clássico Rogues in the House entre outros.

Em relação a arte em The Road of Kings, bem, depois de um choque incicial com a arte mais cartunesca do Mike Hawtorne, eu me acostumei e entrei no clima mais aventureiro ladino safado das aventuras.

A segunda parte da série, depois que Conan entrega a mala da Olívia no reino de Ophir, e é lógico, se envolve em um montão de encrencas (que incluem até um pega com um assassino monstruoso estilo exterminador do futuro versão hiboriana), mostra o nosso cimério doidimais indo até o reino de Aquilônia.

A saga na Aquilônia é mais sombria e com uma trama mais complexa do que a primeira saga no The Road of Kings, mostrando uma evolução, como se Thomas estivesse esquentando os motores, como se Thomas já estivesse com os motores aquecidos e se sentindo mais à vontade em escrever novas aventuras do cimério. É uma pena que a série se encerra no volume 12, talvez Thomas mereceria mais um ano com o bárbaro, mas séries curtas e fechadas são uma realidade dos quadrinhos atuais.

Na Aquilônia, Conan se envolve em uma trama para derrubar o rei, e é legal ver o cimério se aliando a alguns dos seus futuros inimigos. A história dá uma guinada para o horror, com mortos vivos e insetos monstruosos aparecendo para fazer a alegria de quem curte uma pancadaria hiboriana escolavéia!

Infelizmente, estava a fim de ler a próxima saga ,a Queen of the Black Coast, do Brian Wood, mas tanta gente detonou essa série que decidi partir direto para a elogiada King Conan, que tem as adaptações ultrafiéis da Scarlet Citatel e a The Phoenix Sword, com roteiro do fodásico Timothy Truman e arte do monstruoso de tão medonho de bom que ele é, o mega-mass doidimais do José Villarrubia.

Fica a recomendação do Road of Kings, mas deixando bem claro que é uma forte mudança de tom e estilo do que tinha sido feito anteriormente pela Dark Horse em relação ao Conan.

E é isso aí pessoal, e vamos continuar a ler quadrinhos porque ler quadrinhos é DOIDIMAIS!

Onde Comprar!

Road of Kings – Dark Horse Digital

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