Jericho Moon é mais um romance fodásico do Matthew “Acts of Caine” Stover, um autor que busca sempre quebrar os limites e os clichês da literatura de Espada e Magia contemporânea. Jericho Moon é a continuação de Iron Dawn, e forma a duologia Heart of Bronze, seus primeiros livros antes de ganhar a fama pela saga Acts of Caine (e que está demorando demais para sair um livro novo, caray!).

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O romance faz uma reinterpretação dos eventos do Livro de Josué (e também descritos no Pentateuco), de uma maneira literal. Ele segue a cronologia estabelecida no Iron Dawn (o primeiro livro desta duologia chamada de Heart of Bronze), colocando os eventos da conquista da terra de Kena’am (Canaã). O livro transforma os personagens do livro de Josué; Josié, Eleazar o Grande Sacerdote e seu filho Phineas em pessoas reais.

Dentre esses personagens do lado dos hibiru (hebreus antigos) Josué é o mais trabalhado, visto que parte da história é narrada em seu ponto de vista. Josué é caracterizado como um homem que dedicou sua vida continuar o legado de Moisés, mesmo sendo um guerreiro e sem nenhum talento para as palavras como o profeta. Ele ainda não se recuperou da perda de Moisés, vinte anos antes da narrativa, e agora velho, a última coisa que ele quer é entrar em uma guerra. Os fantasmas do massacre em Jericho o atormentam, mas ele não pode ir contra a vontade Divina, por sua própria experiência ele viu que aqueles que se voltam contra o deus dos hibirus morrem.

Josué
Josué

É sob esse temor da punição divina que ele marcha cem mil hibirus, reunindo todas as tribos do deserto para a conquista de  Jebusin (Urusalin em Egípcio ou Jerusalém como ficou conhecida nos nossos dias).

A narrativa, assim como em Iron Dawn, mistura fantasia, alguns anacronismos em uma história empolgante passada em 1.200 a.C. . A narrativa lida com temas interessantes como a relação entre fanatismo religioso e guerras santas, genocídio motivado por razões religiosas e a desumanização causada pelo desejo de vingança.

O grupo de personagens principais continua o mesmo, com a protagonista Barra e seus dois companheiros, Leucas, um grego veterano da guerra de Tróia e Kheperu (fantástico como sempre!) um mago Egípcio pervertido e exilado por ter se envolvido com magia demoníaca. Como uma mercenária, Barra segue para a antiga cidade de Jebusi , cujo rei está contratando mercenários para tentar defender sua cidade da horda dos hibiru que seguem devastando o deserto.

Barra é a grande atração da saga, uma mercenária mulher com uma psicologia complexa e bem construída. Mãe solteira, ela se aventura em batalhas por rejeitar a vida doméstica e para conseguir dinheiro suficiente para seus filhos.

Matthew Stover tem sempre premissas interessantes para seus livros. Em Jericho Moon a idéia básica é mostrar a queda de Jericó e o avanço dos hebreus após essa conquista do ponto de vista dos outros povos da região, principalmente dos Jebusitas da cidade de Jerusalém (antes do período israelita).

Uma guerreira picta como Barra! :)
Uma guerreira picta como Barra! :)

Como nos outros livros do Matthew, não existe uma diferença entre o bem e o mal, as motivações são complexas e muito ligadas ao que se tem que fazer para garantir a própria sobrevivência em um mundo brutal. O transforma o avanço dos hibiru como sendo motivado por um deus vingativo e ciumento, e pelo terror de ir contra os desejos desse deus.

A história alterna principalmente entre os pontos de vista de Barra, a mesma guerreira picta do romance anterior Iron Dawn e Josué, o líder dos mais de cem mil hibiru que seguem para repetir a destruição de Jericó em Jebusin (a  antiga Jerusalem).

Em meio a uma trama intrincada e cheia de reviravoltas, Matthew Stover consegue incluir uma discussão sobre fé religiosa versus humanismo, que me surpreendeu dada a quantidade de eventos que acontece na narrativa.

Fica a recomendação, é um excelente livro e leitura obrigatória para quem leu Acts of Caine!

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