Stonehenge, de Bernard Cornwell – Um Mergulho na Era do Bronze! #resenha

Bernard Cornwell faz jus à fama de um dos melhores escritores de romances históricos do mundo. E a incrível popularidade que ele tem no nosso país, não muito acostumado a ler, já justifica a minha vontade de ler toda sua obra. E que leituras agradáveis!

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Os romances históricos, um gênero que curto muito, procuram passar para o leitor uma experiência sensorial e emocional em outra época. O grande barato de se ler romances históricos é ser transportado para outro lugar, outra visão de mundo. E a força dos livros do Cornwell está em colocar o leitor dentro da mente de seus protagonistas. Não é apenas uma história em outra época, é vivenciar uma maneira diferente ver o mundo, e experimentar as sensações de vier em outro tempo.

Mas se a narrativa não estiver amarrada com um drama humano, um romance histórico não funciona, ficando apenas na parte informativa.

Um dos segredos de Bernard Cornwell é focar suas narrativas primeiras nas dificuldades existenciais e dilemas humanos de seus personagens, dramas que são facilmente identificáveis e eternos, mesmo em períodos históricos distantes. Ao redor desses dramas humanos ele constrói todo o cenário histórico e vai mesclando temas eternos com as particularidades culturais do período.

E tudo isso é feito com uma prosa transparente, direta, sem artifícios e com uso econômico de metáforas e símiles. Um estilo muito semelhante à de outro mestre de romances históricos, Ken Follet (cuja minha resenha do fantástico Pilares da Terra pode ser lida nesse link). E parece que o Cornwell se inspirou no Pilares da Terra de Ken Follet (que mistura drama e aventura com a construção de uma catedral medieval na Inglaterra) para escrever Stonehenge.

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O romance narra os eventos que envolveram a construção do famoso Stonehenge, um dos mais impressionantes artefatos da era do Bronze. A narrativa é totalmente fictícia, com base nas mais recentes teorias a respeito de Stonehenge.

É um livro de fácil leitura e que, ao melhor estilo de Cornwell, não dá para parar de ler. O livro aborda muitos temas interessantes, como a cultura pagã e panteísta das tribos da era do Bronze e seu modo de ver o mundo. A questão da mulher nas comunidades antigas e os mecanismos psicológicos do fanatismo religioso se misturam com informações de como foram retiradas e transportadas as gigantescas pedras de Stonehenge.

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O livro tem muitas cenas de ação, sexo, reviravoltas, batalhas, tudo que já se pode esperar de um livro de Cornwell. E tudo escrito de maneira eficiente e econômica. Cornwell é um mestre do sumário narrativo, fazendo com que enormes passagens de tempo e grandes eventos sejam descritos de maneira satisfatória em poucos parágrafos. Em outros autores, esses momentos poderiam ser tediosos, Cornwell consegue colocar vida nessas passagens.


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Assim como em sua trilogia de Arthur, em Stonehenge Cornwell discute o papel dos líderes religiosos ou feiticeiros dentro da sociedade tribal e a magia como sendo a habilidade de manipular mentes por meio de mistificação, superstição e conhecimento. Para que ter um poder mágico de levantar uma pedra quando, com algumas palavras bem escolhidas, você pode manipular milhares de seres humanos para construir um monumento para a eternidade? Stonehenge é um monumento envolvido em muito misticismo, mas achei muito mais interessante ver uma descrição de sua construção com base apenas na vontade humana motivada por fervor religioso. É muito mais impressionante do que ETs, fadas, elfos, etc.

Fica a recomendação dessa viagem a era do Bronze. Eu li no original em inglês, mas sei que o livro foi publicado no Brasil pela editora Record, e fica a torcida para tenha tido uma tradução decente.

E agora, de volta a leitura da Saga Lankhmar de Fritz Leiber! :)

Stonehenge, de Bernard Cornwell – Amazon

Stonehenge, de Bernard Cornwell – Saraiva (português)

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4 comentários

  1. Valeu Gabriel. Eu gostei por ser mais lento, deu para sentir mais o período. As vezes acho que o Cornwell corre demais com os roteiros. :)

  2. Ótima resenha Nitrão!! Bernard Cornwell com certeza é um dos meus favoritos também. Esse gostinho massa demais de “misticismo mundano” e o poder da crença é uma das coisas que foquei no Senhores da Guerra com a Redbox, assim como o investimento no drama familiar/de laços dos personagens. Tomara que a galera entre no clima.

    Manda mais resenhas pra gente que é sempre doidimais.

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