Nas minhas experiências como mestre, recordo com muita alegria aqueles jogadores que realmente entram de cabeça na criação coletiva da história. Jogadores que participam ativamente da aventura, saindo da passividade de ficar esperando que tudo de interessante da história tenha que vir do mestre. E garanto que esses jogadores, que participam mais ativamente da aventura, que criam histórias paralelas, que são criativos com seus personagens, são aqueles que  se divertem mais!

A idéia de que um jogador de uma mesa de rpg é também um criador de histórias não é nova, apesar de que hoje em dia existem muitos RPGs que focam nesse aspecto. Eu me lembro nas minhas primeiras sessões de rpg, como jogador, da quantidade de material que eu criava para o meu próprio personagem, imaginando sua biografia, seus amigos e inimigos, suas preferências, suas manias etc. E quando jogava, usava das situações que o mestre colocava para criar em cima, inventar novas histórias, novas encrencas. Eu tive a sorte de ter um mestre bem aberto para as contribuições dos jogadores, e ele sempre incorporava nas aventuras o que a gente trazia para a mesa. Isso evitou a síndrome da passividade, aquela atitude de alguns jogadores de ficar apenas reagindo às situações que o mestre coloca. Como mestre de rpg, tendo sempre estimular meus jogadores a criarem novas histórias, narrativas e dramas dentro da aventura que estou mestrando. Mas como um jogador pode sair dessa passividade?

Uma das melhores maneiras de sair da passividade é de arrumar encrencas para o seu personagem. Diferente da visão “protecionista” que vejo em muitos jogadores, quando você se arrisca com o seu personagem (é claro, em um jogo com um mestre que seja maduro e confiável), a diversão aumenta muito e a história ganha mais vida, pois são as ações dos personagens dos jogadores que estão gerando novas narrativas (ao invés das narrativas impostas pelo mestre, que podem agradar ou não aos jogadores).

Eu me lembro de quando, como jogador, eu tinha um pequeno halfling ladrão, que fora emboscado por outros ladrões que o deixaram totalmente sem roupas. Depois disso eu não queria mais saber da aventura principal da nossa campanha; disse para o mestre que eu iria entrar em uma jornada de vingaça, para punir os marginais que fizeram isso comigo. Foi sensacional! Sem dinheiro para nada, fiz uma tanga e pedi ajuda para meus outros companheiros de campanha. Os demais heróis não quiseram me ajudar (meu personagem os tinha roubado várias vezes no passado hahahaha) mas o mago do grupo me deu uma varinha mágica, dizendo que, quando eu encontrasse os marginais, eu poderia usar a varinha para atacá-los. O meu personagem, cego de vingança, aceitou sem perguntar mais nada e partiu em sua busca. O grupo seguiu a aventura enquanto o meu hafling, de tanga, camuflado de piche, investigou e encontrou o antro dos marginais. No momento em que os surpreendi, saquei a varinha e a acionei, causando uma explosão que matou os marginais mas que quase matou o meu personagem. Foi muito engraçado todo mundo riu pra caramba! Em seguida, o meu personagem, todo detonado, voltou para o grupo se arrastando, o que gerou mais gargalhadas ainda!

Até hoje o pessoal se lembra dessa história, que só aconteceu porque eu arrisquei  a sair da minha zona de conforto como jogador e fui atrás de aventura, aceitando o risco de até perder o personagem! Uma história boa e memorável, para mim, vale mais do que qualquer coisa!

Arrisquem e criem histórias com seus personagens! :D

E vocês, tem histórias semelhantes surgidas quando vocês se arriscaram com seus personagens?

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