Representando as Classes Básicas do D&D (4) – O RANGER – (Artigos de RPG do Baú do Tio Nitro)

Eles são os mestres das áreas selvagens, conhecem sobre os perigos escondidos nas florestas, sabem dos hábitos dos animais e os segredos das plantas, desenvolveram táticas de sobrevivência para as regiões inóspitas e ainda são excelentes e perigosos guerreiros. Celebrado por Tolkien com o arquetípico Passolargo/Aragorn no “Senhor dos Anéis”, a classe do Ranger oferece uma interessante e diferente oportunidade de representação para o Jogador de Dungeons and Dragons. Mas como representar um Ranger que seja realmente interessante para sua mesa de jogo e que seja memorável como Passolargo?

Quem disso que Elfo tem que ser fruta? Se bem que esses cabelos... hehehe!
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O que é um Ranger?
Tradicionalmente, dentro do D&D (e introduzido no Advanced Dungeons and Dragons) o Ranger é o mestre das florestas, um caçador habilidoso, que conhece todos os segredos das áreas selvagens. Além dessa habilidade, o Ranger é habilidoso no combate, sabendo usar muitas armas, e concentra seus ataques no oportunismo e nos ataques à distância (os rangers não usam as armaduras pesadas dos guerreiros). Os Elfos são os que adotam mais freqüentemente essa classe, por causa de sua afinidade com as florestas, mas os humanos também são excelente rangers, por causa da sua capacidade de adaptação ao ambiente onde se encontram. Além dessas raças, os meio-orcs também costumam seguir esse estilo de vida, por ser mais selvagem e mais adaptados à sua natureza mais brutal.

O Ranger em D&D é, tradicionalmente, aquele personagem batedor, que segue os rastros nas florestas, tem um ótimo ataque à distância (normalmente arco-e-flecha). Ele também tem a capacidade de conjurar algumas magias divinas (à partir do 6º nível) e à medida que evolui vai ficando cada vez mais imbatível na floresta. A classe ficou muito mais equilibrada na edição 3.5 do D&D, e vários problemas foram concertados.

O Ranger pode perder um pouco do seu papel, quando as aventuras não forem em florestas. No final desse artigo estão algumas sugestões de variações na classe do Ranger, que podem ser desenvolvidas para expandir mais as suas especializações. O Ranger também combina bem com a classe de Guerreiro e de Ladino, caso o jogador queira criar um personagem multiclasse, que se adapte à mais situações.

O estereótipo rústico do Ranger também é um fator de interesse para muitos jogadores. O Ranger é um ser da floresta, muito ligado ao ambiente de onde veio. Ele não gosta das complexidades dos centros urbanos, preferindo mil vezes lutar contra ursos do que se ver no meio dos jogos políticos da corte. E como neste artigo o nosso objetivo é inspirar os jogadores à representarem Rangers com mais detalhes e profundidade, vamos primeiro ver quais personagens do cinema, da literatura e dos quadrinhos que se aproximam da idéia do Ranger. Muitos desses personagens podem servir de inspiração para Mestres e Jogadores criarem PJs (personagens dos jogadores) e PMs (personagens do mestre) memoráveis!

Os Rangers mais famosos no cinema, literatura e quadrinhos:
O Ranger Primordial, o Mega-Ranger-De-Todos-Os-Tempos é Passolargo (ou Strider), o codinome para Aragorn em Senhor dos Anéis. Passolargo pode ser considerado a base da classe dos Rangers, um personagem experiente com as florestas (e todas as áreas selvagens, desde pântanos, locais com neve, minas subterrâneas, etc.). Passolargo tem sempre aquele olhar de experiência, e o visual sujo e encardido de um homem que passou muito tempo nas florestas, caçando para sobreviver. É claro que essas características de Ranger de Passolargo não são mais citadas quando ele se transforma em Aragorn, mas mesmo nesse momento,quando Aragorn se torna o líder das forças contra Sauron, ele ainda mantém aquele jeito rústico de sua vida como ranger.

Um exemplo interessante de um Ranger cinematográfico, muito apesar de ser dos dias atuais, é o famoso Crocodilo Dundee. O personagem do ator australiano Paul Hogan (que também é meio range na vida real, vivendo em uma reserva selvagem), Mick Dundee é um caçador de crocodilos (uma profissão ranger!) que vai parar na cidade. É inspirador ver como o Mick Dundee usa seus conhecimentos e seu jeitão selvagem na cidade grande, o que pode até inspirar jogadores a usar as perícias da selva nos centros urbanos. Eu recomendaria o talento Faro (que é só para criaturas, mas que em meus jogos eu uso para PJs que sejam Rangers ou Bárbaros bem selvagens, comprado como um talento normal à partir do 5º nível) para os Rangers poderem rastrear inimigos em qualquer situação, como no filme do Crocodilo Dundee (ele acha um traficante pelo cheiro do chapéu dele!).

Na literatura temos Drizzit, o elfo negro (que é um ranger, inicialmente especializado no Underdark, o mundo subterrâneo de Forgotten Realms, e descrito nas obras de R.A. Salvatore), Tanis o meio-elfo de Dragonlance (que mostra que um ranger pode muito bem ser o líder de um grupo de heróis, ele é descrito como um guerreiro/ranger em alguns suplementos antigos).

Na televisão temos os personagens Daniel Boone e Mingo, dois rangers muito legais (Daniel Boone é aquele personagem que tinha uma carabina, uma roupa de couro no estilo dos índios e um chapéu feito de pele de guaxinin com rabo e tudo!).

Nos quadrinhos, Wolverine seria um dos personagens que serviriam de base para um ranger. Com seu jeito selvagem, sua experiência de caçador, seus estilo rude, ele poderia ser uma boa base para um ranger mais no estilo “mal humorado”. Outro personagem que segue o arquétipo do Ranger é Kraven, o Caçador; um dos mais famosos inimigos do Homem Aranha. Sua obsessão por caçadas pode servir de base para um ranger com um jeito mais “dark” de ser.

A História de um Ranger
Um Ranger normalmente se forma em meio a um ambiente selvagem que chama de lar. Ele poderia ter sido membro de uma vila que fora destruída em uma guerra e acabou tendo que sobreviver na floresta, ou ele poderia ter sido o filho de uma família de caçadores, aprendendo a caçar desde pequeno. O importante é estabelecer a ligação com a natureza, o modo como o Ranger entrou em contato e aprendeu os segredos selvagens.

O Ranger poderia ter aprendido sozinho os segredos da floresta (ou do ambiente selvagem onde ele se formou, seja ele um deserto quente ou gelado, uma região vulcânica, etc.) ou ter tido mestres. Estes mestres poderiam ser parentes (pais, tios, ), amigos ou até mesmo animais inteligentes de mundos de fantasia. Ou mesmo, ao estilo de Mogli, ele pode ter sido criado por um grupo de lobos, sendo abandonado quando criança.

Uma visão da história do Ranger pode ser no estilo do Robson Crusoé, ou seja, o personagem pode ter sido criado e educado em um ambiente mais urbano mas acabou exilado em um local selvagem e teve que aprender habilidades de sobrevivência para não morrer. O filme Náufrago, de Tom Hanks, é um grande exemplo desse tipo de histórico.

Uma sugestão seria o estabelecimento de uma ligação com um animal ou com um tipo de animal. As histórias dos índios americanos (uma boa inspiração para rangers, com as clássicas técnicas de rastreamento dos índios americanos presentes em muitos filmes de faroeste) envolvem os Totens (ou animais de poder) e dariam uma mística interessante para um ranger diferente. Ele poderia ser chamado de Filho-do-Urso, ou Senhor-das-Àguias, e ter um animal que serviria como um guia espiritual (aparecendo em sonhos ou visões, por exemplo).

O importante é estabelecer como se estabeleceu e como se desenvolveu o relacionamento do ranger com o ambiente selvagem, determinando os tipos de conhecimentos, traumas e habilidades que ele possa ter desenvolvido.

A personalidade de um Ranger
Tradicionalmente, o Ranger possui uma certa sabedoria que vem do contato com a natureza. No arquétipo tradicional do Ranger (tomando de exemplo Passolargo), ele é um personagem que conhece os perigos da floresta, e sempre aconselha e guia seus companheiros quando estão no ambiente selvagem. Ele é observador em relação à pequenos detalhes (como rastros, tipos de plantas, os tipos de animais que possam estar por perto), sabe escolher os melhores lugares para acampamento e possui um modo estratégico de conduta, avaliando bem os inimigos e decidindo a melhor estratégia para derrotá-los.

Uma variação interessante é o Ranger bem humorado, que gosta de fazer piadas com a falta de jeito dos personagens mais urbanos com a vida selvagem. O Crocodilo Dundee, por exemplo, se diverte com os bandidos da cidade mostrando habilidades e conhecimentos que eles desconhecem. Dundee é alegre e brincalhão (enquanto não o deixam nervoso) e sempre ressalta a diferença entre a vida na selva e a vida urbana (favorecendo a vida na selva, é claro!).

Uma versão mais “dark” do Ranger o faria um personagem soturno e obcecado com a arte da caça. Um exemplo desse Ranger mais “dark” seria Kraven, o caçador, um dos inimigos mais temidos do Homem Aranha. Kraven é obcecado com sua atividade como caçador, e não mede esforços para capturar sua presa. Sua obsessão aumenta em relação à dificuldade que tem de capturar sua caça. Um Ranger “do mal” como Kraven poderia ser um excelente vilão para os Narradores usarem em suas aventuras.

Um outro exemplo de Ranger “do mal” seria o Predador, o alienígena caçador de homens (que tem mais um “jeitão” de Ranger no primeiro filme da série). Nesse caso temos uma variação interessante dos Rangers onde foi adicionado o elemento da “honra guerreira”. O Predador (dos filmes) seria de tendência Leal e Má, mas demonstra que poderia se fazer um Ranger de tendência Leal e Boa, adicionando a “honra do guerreiro” na conduta do Ranger (cuja indicação de tendência é sempre Caótica e Boa). Essa variação criaria um Ranger muito interessante e o Narrador poderia pedir para o Jogador criar todo o código de conduta do seu Ranger. Outros exemplos de Rangers com códigos de conduta seriam os tradicionais Índios Norte-Americanos (principalmente os Rastreadores) que possuem as habilidades do Ranger (conhecimento selvagem, rastreamento, relação com os animais) e que seguem um código de “honra guerreira” ditado por sua religião e suas crenças.

O Papel do Ranger em um Grupo
Como todas as demais classes, o Jogador deve primeiro reconhecer as forças e as fraquezas do Ranger. Na versão 3.5 do Dungeons and Dragons, os Rangers possuem um bom equilíbrio entre furtividade e capacidade de combate. Normalmente, eles terão uma armadura mais fraca e menos pontos de vida (seu dado de vida é o d8) porém tem o diferencial do seu conhecimento sobre as coisas selvagens e sua capacidade estratégia.

O Ranger serve como guia para o resto do grupo, principalmente quando estão em uma floresta. Sua capacidade furtiva o faz um excelente batedor, ele poderia ir na frente do grupo para checar o que os aguarda. Mesmo se estiver em ambientes urbanos, suas capacidades de rastreamento, sua observação treinada, poderá ajudar o grupo em aventuras de investigação.

A visão mais “natural” da vida, o seu contato com a natureza, farão do Ranger um personagem que não será facilmente enganado pelas ilusões e manipulações da vida urbana. Ele verá claramente os excessos da vida urbana e não se interessará pelas suas motivações. Porém essa mesma visão simplória e direta poderá colocar o grupo em maus lençóis, caso a falta de conhecimento de etiqueta social dos meios urbanos criem situações embaraçosas.

A visão estratégia do Ranger poderá ajudar o grupo. Ele poderá reconhecer o terreno de combate e indicar as melhores posições para o resto do grupo, de modo a tirar vantagem das condições naturais (vento, chuva, luz do sol, elevações no terreno, ataques estratégicos e localizados) etc. Caso o jogador desenvolva as habilidades de ataque a distância (que são favorecidas na classe dos Rangers), o personagem poderá fornecer uma boa retaguarda e cobertura para os avanços dos guerreiros e bárbaros do grupo (atingindo os oponentes com várias flechas antes que os guerreiros e bárbaros cheguem para o combate corpo a corpo).

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