Dicas de RPG do Tio Nitro: Dicas para Representar Personagens de Mestre Memoráveis!

Um jogo de rpg é bem sucedido a medida que os PdMs (Personagens do Mestre) são marcantes para os jogadores. Muitas vezes o problema de uma aventura é a falta de PdMs interessantes para os PdJs (Personagens dos Jogadores) interagirem. Nas minhas aventuras, alguns dos momentos mais relembrados pelos jogadores são aqueles que envolvem PdMs que chamaram a atenção ou que roubaram a cena. E o segredo de criar e interpretar PdMs memoráveis é entrar de cabeça na história, usar o momento para atuar e supreender os jogadores.

Uma das partes mais importantes de um PdM que interagem com os Pdjs é sua fala. A voz é um dos instrumentos mais importantes de um Mestre de RPG, e com um pouco de esforço e desinibição, você pode criar novas vozes para seus PdMs. Uma empostação de voz, uma fala diferente, um vocabulário peculiar podem ajudar a criar um PdM memorável. Se os PdJs encontram com um mendigo, o mestre pode fazer uma voz rouca pontilhada com tosses para marcar bem o personagem. Atuar é sempre melhor do que descrever, quando se trata das reações de um PdM. Ao invés de dizer, “o capitão da guarda olhou irado para vocês, e falou entre dentes cerrados”, se o mestre atuar dessa forma, falando com os dentes cerrados e franzindo o rosto, o impacto será muito maior e você ganha em imersão, ou seja, os jogadores entrarão mais no que está acontecendo no momento.

Quando estou assistindo algum filme ou desenho animado, tento imitar as vozes dos personagens, para treinar maneiras diferentes de falar e expressar emoções. Esse tipo de exercício ajuda muito na mesa de jogo. A entonação das frases e as milhares de maneiras diferentes de expressar emoções podem transformar um personagem sem graça em algo que irá ser lembrando por muito tempo. Algumas técnicas simples, como deixar a voz grave, falar entre os dentes, aumentar ou diminuir o tom da voz, colocar malícia, maldade, falar pausadamente ou rapidamente passa instantemente o que descrições apressadas teriam dificuldade de fazer. Mesmo se você não tem nenhum talento para o teatro, garanto que com um pouco de esforço e treino qualquer um consegue fazer vozes diferentes para os personagens!

Um fator que atrapalha é a inibição, muitas vezes o mestre pode se sentir intimidado em entrar na pele de um PdJ. Para combater essa inibição o importante é ter um bom relacionamento com os jogadores, e um respeito mútuo dentro da mesa de jogo. Com a prática, tanto os jogadores quanto o mestre ficam mais a vontade de representar seus personagens. Muitos mestres reclamam que seus jogadores não interpretam seus personagens, quando eles mesmos tem que passar o exemplo. Eu percebo que quando eu interpreto mais teatralmente meus personagens de mestres, meus jogadores se sentem mais a vontade de interpretarem seus personagens de maneira mais teatral também. Quando eu estou mais desanimado e descrevo mais do que interpreto as ações dos meus PdMs, os jogadores tendem a descrever mais do que interpretar as ações dos seus PdJs. Por isso foco tantos posts em dicas para os mestres, primeiro para eu mesmo procurar sempre melhorar a minha atuação como mestre e em segundo porque acredito que os mestres são os principais responsáveis pela preservação, continuação e expansão do nosso hobby. Uma das coisas que nunca entendi é a falta de um apoio das editoras aos mestres de RPG do Brasil. Caramba, cada mestre de um RPG de uma Editora é uma jóia rara para essa Editora e deveria ser tratado como tal! :D (A Paizo PAGA mestres de Pathfinder que queiram mestrar em eventos de RPG nos EUA, por exemplo!).

A linguagem corporal na representação de PdMs também é fundamental. Eu costumo me levantar pra caramba quando estou mestrando, e o impacto da linguagem corporal ao representar um PdM é considerável. Experimente representar um Dragão de pé, tansformando suas mãos em garras e vá caminhando por trás dos jogadores vagarosamente, enquanto você fala a famosa ladainha do Dragão-que-foi-invadido, dizendo que vai fazer picadinho assado dos PdJs! isso dá um efeito muito maior do que simplesmente ficar sentado e descrever que o dragão fez isso e isso, e falou isso e isso, etc. Em jogos de horror, como Call of Cthulhu por exemplo, a linguagem corporal ajuda muito a dar os famosos “sustos” nos jogadores (lembrando, o principal alvo de um RPG de horror é o medo dos Jogadores, mais do que dos PdJs!). Use a linguagem corporal para expressar o tipo de personagem, por exemplo se curve todo para representar um velho cacético, mire do alto de maneira bem metida para representar um lorde metido a besta, faça caretas, sorrisos malévolos, etc. Quando eu assisto filmes ou peças de teatro, por exemplo, presto muita atenção nos atores, em como eles usam da linguagem corporal para mostrar o tipo de personalidade e status social do seu personagem.

Entrar na mente do PdJ é também essencial para interpretá-lo bem. Sempre que estou representando um PdM penso qual é a principal motivação do personagem. O que ele quer? O que ele quer com os PdJs? Quais segredos ele possui? Imaginar um passado para o PdJ ajuda muito a dar mais vida para ele. Imagine o que ele estava fazendo antes que os PdJs o encontrassem. Se ele tem algum trauma, imagine como esse trauma afetou sua personalidade. Ele é alegre, depressivo, frio, emotivo, passional, ciumento, etc.

E vocês? Tem dificuldade em interpretar PdJs ou PdMs? Quais dicas vocês dariam para quem quer representar melhor PdJs ou PdMs?

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16 Respostas para “Dicas de RPG do Tio Nitro: Dicas para Representar Personagens de Mestre Memoráveis!

  1. Tudo bem Nitro, Bom texto, eu costumo criar PdMs usando como base personagens de filmes, principalmente os coadjuvantes (ha uma vasta gama deles) , ou fazendo uma coxa de retalhos de personalidades, em uma campanha criei um ladrão com características de Jack sparrow porém, ele era mudo e fingia que estava bêbado para roubar os outros, foi uma sensação na campanha.

  2. Eu costumo usar tiques, tem um mago que interage com o grupo que tem muito o estilo Raistlin, toda hora tossindo e doente. Um personagem tem uma mão paralisada, enquanto fala a mão não se move. Uma ideia legal é que os Pdms tenham defeitos, acho que é natural ter defeitos, e isso deve ser usado, meus vilões são feios, caolhos, surdos, gagos e mancam, alias dar uma volta na mesa mancando e ofendendo os personagens deixa qualquer lord das trevas muito mais louco.

  3. Eae Tio Nitro, eae galera….Eu tive um Pdm que usava oculos e fumava…toda hora ele limpava o oculos, dae eu pegava um oculos veio e um lenço e ficava usando ele p limpar…e com uma caneta na boca p fazer de conta q era um cigarro…esse até hoje é lembrado por esse tique e vicio….rs…abraço a todos…

  4. Ótimo post e uma ótima dica, e para alem delas acrescento que podemos interpretar personagens do sexo posto, e até exagerar um pouco no afeminado/masculinizado dele, uma personagem minha que fez muito sucesso quando mestrava vampiro idade das trevas, (a uns 10 anos atrás) foi uma vampira bi-sexual, que até hoje quando reencontramos os amigos de mesa daquela época é lembrada com saudades de suas perversões, parabéns pelo blog, abraços!

  5. ótima dica, vou usar na mesa de novatos que estou iniciando. Um bom começo para criar PdMs é observar as características dos PdJs e colocar coisas opostas (ou não) nos PdMs. Com esses conflitos pessoais os jogadores ficam mais motivados a enfrentar o vilão e simpatizar com aquele aliado.

  6. Essa dica de interpretar um PdM como uma pessoa única, com personalidade própria, traumas, problemas pessoais, etc. foi muito útil pra mim. Tenho certeza que agora meus PdMs se tornarão muito mais reais! Valeu Tio Nitro, e parabéns novamente!

  7. Obrigado pelos comentários pessoal! :)

    @andré lima – gostei da dica!

    @matheus – Ajuda muito criar um pequeno resuminho para cada PdM importante.

    @ana clara – Valeu Ana! :)

  8. Muito legal as dicas Nitro. Se vc souber de alguma campanha medieval em bh e puder me indicar para jogar com o pessoal ficarei grato.

  9. Uma vez, eu criei um Leão de Pedra com mais de 3m, ele era um guardião de um estrada no meio de umas montanhas, protegia a rota até um altar no topo dessa montanha. Ele era leal e neutro, assim, ele não atacou de uma vez os jogadores e sim rolou umas rodadas de interpretações tão boas entre eu e os jogadores que eles até voltaram algumas vezes para fazer favores ou pedir ajuda a “Asgar” que tinha um ar arrogante e trejeitos como o do Scar do Rei leão hahahahaha bons tempos, se eu voltasse a jogar, certamente voltaria com o Asgar para minhas aventuras.

  10. Tio Nitro, sempre acompanhei o blog e gosto muito de estudar os seus posts. Como quase não atuo como jogador em uma mesa de RPG, sempre sou o Narrador.

    Narrar/Mestrar é uma arte, que merece comprometimento. Comprometimento com a mesa, com os Jogadores e com a diversão. É sempre importante o Narrador buscar mais e mais meios de se aprimorar, para melhorar o fator diversão mais e mais.

    Nesse caso, a interpretação e a imersão no personagem são pontos fundamentais para uma boa experiência de mesa e as dicas apresentadas são muito relevantes.

    Parabéns pelo sucesso e continue assim.

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