NitroCast 16 – Narrativa Compartilhada: Como criar histórias junto com os Jogadores!

No Episódio 16 do Nitrocast eu falo um pouco sobre como compartilhar a narrativa e criar aventuras a partir das decisões e escolhas dos jogadores.

Dogs in the Vineyard - RPG com muita narrativa compartilhada do Vincent Baker

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NitroCast 16 – Narrativa Compartilhada: Como criar histórias junto com os Jogadores!

* A volta dos NitroCasts
* NitroVideos no NitroDungeon
* As mudanças no meu estilo de mestrar nos últimos anos.
* O conceito de Narrativa Compartilhada: distribuição de autoridade.
* A autoridade da Situação antes do jogo e a autoridade compartilhada das Consequências durante o jogo.
* Chave para preparar menos e jogar mais: Personagens dos Jogadores com sementes para histórias.
* As Bandeiras ou Flags dos personagens dos jogadores.
* Dicas para os Jogadores: Deixem claro que tipo de cenas e histórias vocês querem que seu personagem se envolva.
* Dramas e motivações dos personagens dos jogadores.
* Problemas a resolver, problemas de personalidade, falha pessoal.
* Dica: criar personagens em conjunto, conversar sobre o estilo da campanha, sobre o que pode acontecer de maneira genérica, que tipo de dramas.
* Dica para aventuras one-shot com personagens prontos: criar personagens com essas bandeiras, esses problemas, dramas e motivações totalmente amarrados com a aventura. Tenho exemplos no NitroDungeon.
* Características e Motivações podem e devem mudar ao longo da aventura, o mestre pode premiar isso também.
*Prefiro premiar com coisas que os jogadores possam usar durante o jogo.
* Dica para o Mestre: premiar os jogadores que buscam desenvolver as sementes das histórias dos seus personagens.
* Papel dos Personagens dos Jogadores: protagonistas das histórias.
* Fazer personagens que valham a pena jogar. Personagens que você pagaria para conhecer a história.
* Dica: Criar personagens com biografias genéricas, e deixar para preencher na sessão. Depois falarei um pouco de usar Flashbacks durante as aventuras.
* Kickers, do RPG Sorcerer. Situações antes do jogo envolvendo os personagens que já fazem eles começarem o jogo correndo, ou seja, já engajados em algo.
* Exemplo de Kickers: o personagem sofre um atentado contra sua vida momentos antes da aventura começar, isso gera narrativa compartilhada com perguntas como Quem fez isso? Porque sofreu o ataque? Etc.
* Um dos pecados mais comuns dos mestres: desprotagonizar os PJs.
* Quando o mestre assume controle dos PJs sem a autorização dos jogadores, mesmo sem querer ele acaba desprotagonizando os PJs.
* Eu procuro evitar dizer ” você não pode” para o jogador. Se ele declara uma ação estranha, eu apenas esclareço o contexto para que ele realmente tenha certeza do que quer fazer. Se mesmo assim ele quer fazer, ele age e eu narro as consequências.
* Um dos papéis do mestre é dar uma estrutura e estabelecer o espaço onde os personagens dos jogadores irão agir. Mesmo com limites, tento deixar sempre uma grande latitude para ações, um grande espaço para as ações.
* Um dos erros que me pego fazendo é dizer ” e aí o seu personagem quis fugir do lugar ou teve medo, ou sentiu ódio, etc.” . Quem tem que dizer essas coisas é o jogador, o mestre deveria apenas criar a situação e não determinar o que o personagem do jogador sente ou pensa.
* Minha experiência como jogador de RPG e desprotagonização.
* Como evitar: compartilhando a narrativa pra valer, pegando o que os jogadores criam e trabalhando em cima disso.
* Técnicas de Narrativa Compartilhada: perguntar muito para os jogadores, perguntar o que eles estão fazendo, o que estão vendo e o mais importante, o que quere fazer.
* No começo os jogadores podem ficar tímidos para assumir mais controle da narrativa, como  tempo pegam o jeito porque é muito divertido!
* Existem vários graus de narrativa compartilhada, tem jogos onde os jogadores mudam tudo no jogo, como Inspecters ou jogos que nem tem mestre, como Fiasco.
* Na minha campanha de D&D (e na de Mutantes) eu trabalho a Narrativa Compartilhada de uma maneira mais moderada: a autoridade da criação da situação é minha como mestre, mas o resto é dos jogadores.
* Os jogadores indicam para onde a aventura vai e eu crio a situação (sem pensar na solução). Depois disso passo para os jogadores criarem a solução.
* Outra coisa que faço para compartilhar a narrativa é deixar os jogadores comporem partes das situações,cenas, cenário,lendas etc.
*Uma técnica que uso é a dos flashbacks, onde os jogadores podem criar uma cena no passado que explique alguma coisa do presente ou justifique alguma informação ou habilidade do PJ.
* Flashbacks também são ótimos para criar a biografia do personagem durante o jogo, o que é divertido e ajuda a mesclar mais ainda o personagem com a aventura.
* Mecânica dos Pontos de Narrativa faz com que os jogadores tenham um meio de alterar o cenário/situação de maneira moderada.
* PNs são fichas de pôker que dou para os jogadores quando eles tem um ótimo roleplay, idéias legais, colocam seus personagens em riscos, criam cenas dramáticas, etc. Dou apenas 1 por sessão. Essa ficha dá o poder para o jogador alterar algo do cenário, alterar uma cena ao seu favor, criar um aliado, encontrar algo que queira, ou seja, dá uma vantagem narrativa dentro das áreas que normalmente são do mestre nesses jogos (D&D e M&M).
* Além disso inventei os bonuses, que são d6 (para D&D) que dou para os jogadores que já receberam um Ponto Narrativo, para continuar incentivando a contribuição para a história coletiva.
* Para terminar vou falar de um elemento importante das Narrativas Compartilhadas: rede de relações, objetos e lugares.
* Em narrativa compartilhada, a história é criada pelo que acontece no jogo. Assim uma dica é o mestre anotar as pessoas, objetos e lugares que são criados coletivamente ou pelos jogadores em relação aos seus personagens.
* Exemplo: no meio do jogo, um jogador diz que tem um amigo de infância chamado Raymond na guarda real. O mestre pergunta: de onde você o conhece? O jogador diz: Foi quando eu morei na Ilha de Ferro. O mestre pergunta: Tem algum evento importante relacionado com o Raymond? O jogador responte: Sim, ele roubou o primeiro amor da minha vida, e nós acabamos não nos falando mais.
* O mestre anota o nome Raymond, Ilha de Ferro,traição do amigo por causa de uma mulher.
* Depois ele pode REINCORPORAR esses elementos na narrativa, por exemplo, fazendo a tal mulher aparecer, levando os jogadores para a Ilha de Ferro, mostrando Raymond com a tal mulher e seus filhos, etc.
* REINCORPORAÇÃO é isso, é colocar novamente na narrativa compartilhada o que foi criado antes. Respeitar o que foi criado antes dá coerência para a aventura e aumenta a imersão.
* Obrigado pela atenção e vamos jogar RPG porque RPG é DOOOOIDIMAIS!
* Encerramento.

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6 Respostas para “NitroCast 16 – Narrativa Compartilhada: Como criar histórias junto com os Jogadores!

  1. Como sempre um fantástico Podcast, tio! Da abertura à sua didática show de bola, ao papo descontraído e divertido, às dicas extremamente valiosas.

    Engraçado que eu já narrava mais ou menos assim, criando coisas junto com a galera na hora, botando todo mundo pra pensar no mundo, aceitando sugestões do pessoal nas cenas, e tudo mais. Agora com certeza vou transformar o jogo numa coisa ainda mais colaborativa.

  2. @dan ramos – Legal! Eu estou me divertindo muito mestrando assim, dá gosto de fazer o reporte e ver os rumos q a aventura vai tomando! :)

  3. Concordo com o @dan ramos. Ótimo Podcast!

    Eu voltei a jogar não faz muito tempo e mesmo estando enferrujado (não mestrava faz teeeeempo) estou procurando dar voz aos jogadores. Utilizei sua dica de cada um dos personagens narrar um dia de uma viagem e expliquei que poderia dar um ponto de narrativa para cada um que narrasse algo Interessante. Um falou que chuveu forte no primeiro dia (e eu estendi a chuva por toda a viagem), outro falou que por conta da chuva um dos escravos que tinham libertado ficou muito doente o que acabou atrasando a viagem, e isso já me deu o gancho de colocar um encontro nesse período etc… ou seja, deu pano pra manga! =]

    E foi muito legal quando o Luziel (o elfo caçador do grupo) usou seu ponto de narrativa. Os personagens foram abordados por guardas chegando a cidade e começaram a criar caso com eles (no momento esse conflito não seria legal pq tava travando a narrativa). E eu como DM fiquei naquela situação de querer livrar a cara dos pdjs logo, mas sem querer forçar a barra. Então Luziel usa seu ponto narrativo falando que o chefe da guarda os chamara para um serviço no momento em que as coisas estavam se complicando.

    Ou seja, o ponto de narrativa ajudou a todos os personagens e também a sessão, pois destravou o jogo em um momento muito oportuno.

    Bom, é isso ae. Esperando mais podcasts, e como você mesmo diz: “vam jogá RPG, pq RPG é doidimais!”

  4. Pingback: Narrativa compartilhada | TRAMPOLIM RPG·

  5. Estou sem jogar faz um tempo e com tempo apertado assim como meu grupo, vou incorporar já essas dicas principalmente a de conversar muito bem antes com os jogadores, antes eu conversava mas eles eram muito passivos perguntavam, “se preparou uma historia boa para jogarmos?”

    Agora vou passar a bola para eles também! Assim o jogo si e todos ficam com vontade de jogar, afinal vai ser o que todos querem!

    Valeus pelas dicas, vamos ver se em no maximo 3 semanas eu começo a jogar! ^^

  6. Pingback: “Viagem para Sembia”- 22º Episódio da Campanha “Império das Sombras” (Forgotten-D&D 4e)+Fotos « Nitro Dungeon – RPG Blog·

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